Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens

A corrida

menino-borboleta

Para onde estão indo os teus passos?

Eles já não sentem o calor que vem da terra

E você continua a corrida

Mesmo sem saber onde vai chegar.

A vida não é uma estrada vazia, amigo.

Olhe ao seu redor!

Deixar de apreciar o pôr do sol da tarde de hoje,

Talvez seja descartar a última oportunidade que se tinha de fazê-lo aqui.

O que pode ser feito agora, deve ser feito agora.

Quem costuma adiar as coisas simples da vida

Por considerá-las secundárias,

Corre um grande risco de nunca poder realizá-las,

Perde o fio da felicidade.

Nem mesmo os afetos escapam da fúria do tempo.

Cada momento tem seu valor, sua importância,

E todo segundo é sagrado.

A vida deve ser vivida da maneira mais intensa possível,

Ela não passa de uma circunstância fugaz no seio da eternidade.

Daqui levaremos apenas o que a nossa alma pode comportar.

Tudo que é matéria perecerá,

Tudo que é superficial será esquecido,

Só permanecerão vivos,

Os nossos conhecimentos, nossos valores

E, sobretudo, os nossos sentimentos,

Que mesmo tendo sido fecundados

No ventre da fugacidade das coisas

É o que existe de mais verdadeiro e de eterno em nós.

 

Bernadete Barreto

Continuar Lendo

Um homem nu

espirito_livre

Ainda ontem ouvi falar de um louco

Que numa manhã de inverno

Queimou seus títulos e suas máscaras

E pela primeira vez se viu no espelho

Sem o peso de suas vestes.

Dizem que nesse dia ele saiu pelas ruas da cidade onde vivia

E saudou todos que encontrou pelo caminho.

Entrou em todos os templos

E em todos os botecos.

Chorou pela sua fé e sorriu pela sua paz.

Abraçou o padre, o bêbado e a prostituta,

E não sentiu que o calor de um abraço fosse mais santo que o outro

Beijou a face de todos os seus amigos e jurou que os amava.

Olhou nos olhos de um miserável

E enxergou, acima de tudo, um ser humano.

Visitou hospícios e penitenciárias

Na companhia dos seus dois filhos.

Falou de Deus aos incrédulos

E orou fervorosamente pelos inimigos.

Declamou seus próprios poemas para quem quisesse ouvir,

Emocionou-se com o infinito sem reprimir seu choro,

E ao notar a perfeição de uma rosa ousou cheirá-la.

Provou a felicidade dentro da grandeza

De uma vida sem acréscimos,

Onde a simplicidade é tudo,

E assim viveu até o último dos seus dias.

Todos os “lúcidos” da cidade,

Passaram a vê-lo como um louco inofensivo,

Preso em seu mundo de fantasias,

Mas o homem apenas estava nu,

E sua nudez o aquecia.

Bernadete Barreto

Continuar Lendo

O filho do homem

cristo-redentor

Século XXI. Mais de dois mil anos se passaram e os nossos lábios ainda guardam o amargo da condenação. Os séculos não puderam lavar o sangue respingado em nossa memória, nem os nossos ouvidos deixaram de ouvir o canto de liberdade nascido daquele olhar. Fomos arrastados para o futuro, mas a lama do passado continua impregnada em nossas sandálias, e a cada dia novos pregos são cravados nas mãos de Jesus, pois cada vez que violamos a sua lei de amor, é como se prosseguíssemos com a crucificação, é como se admitíssemos ter sido vã toda a Sua filosofia. Até quando a raça humana permanecerá no escuro dos seus enganos e das suas lamentações? Como poderemos compreender a grandeza da missão do Cristo se a nossa alma ainda se revolta diante das menores adversidades?

Muitos dos valores que cultivamos hoje têm a idade da nossa ignorância. Acreditamos, cegamente, em idéias que nos foram incutidas pela nossa cultura, em conceitos ultrapassados que o orgulho insiste em proteger. O farisaísmo criou raízes profundas em nossos corações e, apesar de nos dizermos cristãos, nossas atitudes dizem bem pouco daquilo que O Filho do Homem entregou sua vida para nos fazer entender. E nós ainda não entendemos. O mundo não terá ainda entendido, enquanto houver mãos que apertem um gatilho contra o seu semelhante, enquanto o perdão for motivo de desonra, enquanto a humildade for motivo de escarnecimento, enquanto o orgulho for o guia dos nossos passos e ignorarmos a necessidade de amarmos fraternalmente uns aos outros.

Estamos no início da Semana Santa. Nesses dias o nome de Jesus é lembrado com maior comoção pelos cristãos. Seria bom se sempre refletíssemos sobre essa personalidade extraordinária que foi Jesus. E que essa reflexão não se prendesse à sua morte, mas ao seu elevado exemplo de vida.

Cristo. O Profeta, O Revolucionário, O Transgressor, O Filho Único da Liberdade.

Embora a ignorância tenha arrancado o teu último gemido, Tu continuas a falar dentro de nós. E, embora os teus lábios tenham sido cerrados no dia do Teu calvário, a nossa alma não pode deixar de Te ouvir, pois o eco do Teu silêncio é mais tenaz e mais profundo que o grito de toda a humanidade. Conhecemos os Teus ensinamentos, mas esse conhecimento ainda não penetrou as camadas mais profundas do nosso ser, ele apenas se agita às portas da nossa consciência, na ânsia da suprema elevação. O estágio de imperfeição no qual ainda nos encontramos, é resultado da nossa insistência e acomodação no erro. Ajuda-nos, Senhor, a despertar a sabedoria guardada em nossa essência, porque a cegueira que nos atinge, embaça a nossa compreensão sobre a grande finalidade da Tua passagem pela Terra.

Todas as noites, antes de dormir, ornamos o nosso verbo no desejo ingênuo de impressionar-Te, mas o nosso espírito não conhece o calor do nosso próprio verbo. Agradecemos-te com os nossos lábios, mas as nossas mãos se negam a servir àqueles que Tu nos envia à porta.

Perdoa-nos, Senhor, pela nossa dificuldade em seguir-Te. E ensina-nos a compreendermos a nossa própria alma, porque é nela que encontraremos os caminhos que nos levarão à prática do Teu indefinível amor.

Bernadete Barreto

Continuar Lendo

A grande revoluçao

libertação

Quanto tempo mais, agrilhoados à sombra das nossas fraquezas?

O relógio não pára,

E a letargia nos governa sem acanho.

As cinzas de todas as eras

Levantam-se diariamente sobre nós

Exalando o odor vertiginoso do passado.

As diferenças sociais criaram grades

Que nem os séculos conseguiram remover.

A escravidão não cessa,

Mas os escravos ignoram que estão presos em si mesmos

Pelos grilhões do individualismo que cultivam.

Quem de nós é inocente?

Quem, um dia, não curvou a face diante da miséria alheia?

Um olhar quebra o mármore do meu templo

E todas as fomes me censuram por dentro.

Entre as súplicas mudas e inermes daqueles olhos

Ecoa o silêncio estentórico da minha inércia.

A compaixão existe, mas a escassez da ação impera!

Quantos ventres mais, murcharão prematuros?

Quantos seios ainda secarão ao lado da opulência cega e desvairada?

A humanidade sofre de indiferença.

Estamos presos aos nossos desejos mesquinhos,

Escravos da vaidade, do orgulho, da ambição.

Somos mais miseráveis

Que a miséria que rasteja à nossa volta;

Sofremos de miséria moral.

As grades da indigência são mais flexíveis que as do egoísmo.

Livre é o homem que ama indistintamente,

Que atravessa os muros do convencionalismo

E lava a chaga do seu irmão

Sem medo, asco ou pudor.

A liberdade é possível, mas sua plenitude depende da sabedoria.

Tantos livros folheados,

Tantas fórmulas apreendidas,

Tanto conhecimento desnorteado...

O nosso saber ainda habita os porões da ignorância.

Ninguém penetra nos solos da verdadeira liberdade sem a luz da sabedoria.

Exercita-la é o primeiro passo.

O maior sábio de todos os homens

Nunca se deixou prender nas teias da hipocrisia que embala o mundo.

Foi o maior exemplo de humildade e grandeza que a humanidade conheceu

E os raios do seu amor, mesmo depois de tantos séculos

Ainda aquecem os nossos corações.

Precisamos revolucionar os nossos pensamentos, atos e sentimentos,

Romper os entraves que tanto nos atrofia o progresso.

Lutemos por um mundo mais justo, mais solidário, mais humano e menos hipócrita.

É preciso subverter as normas doentias que o tempo estabeleceu.

Sejamos almas transgressoras!

Tornemo-nos livres...

Ousemos Amar!

Eis a revolução maior.

Bernadete Barreto

Continuar Lendo

Quando o amor está

Mão-iluminada

Quando um olhar se dilata sobre a miséria

E uma mão se estende em seu benefício

Sem considerar, nomes, cor ou raça,

Saiba que o amor esteve ali.

Quando um sábio se cala para que soe

Uma voz que ainda treme na escuridão do saber

E se perde no correr do seu discurso humilde,

Saiba que o amor esteve ali.

Quando uma prece é elevada aos céus

E uma lágrima escorre pela face do que ora,

O amor, sem dúvida, esteve ali.

Quando o mais forte arrisca sua segurança

Em favor dos mais fracos,

Também ali, esteve o amor.

Onde há compaixão, humildade, fé e justiça

Há uma fonte perene desse sentimento

Que gera a força redentora do mundo.

O amor é a casa de todas as virtudes,

É a luz da sabedoria divina refletida em nosso Ser.

É o meio pelo qual os projetos de Deus

Se concretizam nas obras dos homens.

É o que a nossa condição humana

Nos permite sentir de melhor.

Não haveria melodias, nem versos, nem fragrâncias

Capazes de quebrar o gelo dos nossos corações

Se não tivéssemos na nossa natureza

Esse dom que pode nos aproximar dos anjos.

O dom de amar é um dom universal.

Por mais empedernido que pareça ser um coração,

Ele esconde nas suas vias secretas

Uma devoção, um afeto, ou um sentimento santo

Por alguém ou por alguma coisa.

Não há ninguém que não tenha no fundo da alma

Uma faísca, que seja, desse fogo celeste.

Mesmo aqueles que tropeçam constantemente nas leis da vida,

E vivem a rogar perdão a Deus,

Guardam a essência dessa chama

E, embora seja um amor que ainda engatinha no escuro,

Já consegue entrever os primeiros raios de luz

Quando o perdão é rogado.

O ser cuja alma é totalmente animada pelo amor

Desfruta a liberdade em seu estado mais sublime

E seu coração é um menino que brinca

Enquanto descobre o que é felicidade.

Bernadete Barreto

Continuar Lendo

O rio da consciência

beira do rio

Há muito tempo, em uma manhã cinzenta de inverno

Um homem despiu-se diante de um riacho e ateou fogo em suas vestes,

Permanecendo ali durante muitas horas daquele dia

A contemplar o seu rosto refletido na água.

De vez em quando atirava uma pedrinha no rio

Como se buscasse enxergar a formação de uma nova imagem.

Cada vez que seu reflexo ressurgia

Sentia seu coração pulsar com mais força.

Notou que havia algo encantador por trás de seu semblante triste.

Fixou pela primeira vez em seus próprios olhos,

Sentiu-se vivo e chorou.

Enxergou o que estava além da sua face...

Descobriu-se por dentro.

Uma sabedoria ignorada, subitamente, se aflorou.

Viu com os olhos do espírito toda a grandeza de seu Ser.

Ele não sabia exatamente como, mas,

Havia atingido um nível de entendimento que jamais imaginara experimentar.

Ele que era tão apegado aos títulos, às aparências, às convenções,

Compreendeu que é nas coisas mais simples da vida que a felicidade se esconde.

E que qualquer um pode garimpá-la.

Que o mais “miserável” dos homens pode sentir-se mais realizado que o mais nobre.

Toda a sua vida parecia ter sido vã.

Ele olhou para todo o trajeto percorrido

E encontrou um enorme vazio existencial.

Como poderia ter chegado até ali sem a lembrança de um sol se pondo?

Sem uma lágrima ou um sorriso pelos versos que escrevera?

Sem um abraço sincero de alguém a quem teria estendido a mão?

Não, ele nunca havia se permitido sentir a ternura de um entardecer,

Jamais compartilhara seus poemas com quem quer que fosse,

E não havia uma só ferida que a sua mão egoísta tivesse derramado um bálsamo.

Mas ainda havia tempo, ele estava vivo.

E sua alma com sede de viver.

Ele jogou mais uma pedrinha na água e novamente a sua imagem se formou

Seu rosto estava envolto numa luz suave e doce.

E seus olhos deixavam transbordar uma serenidade imperturbável.

Sua imagem então se ergueu das águas.

Alma e homem fundiram-se num abraço

E nunca mais se separaram.

O homem vestiu a alma com seu corpo,

Mas permaneceu nu, e sua nudez o aquecia.

Bernadete Barreto

Continuar Lendo

O perdão pelo divórcio

divorcio 

O matrimônio é a união de dois mundos opostos

Com galáxias diferentes, com formas desiguais,

Controlados por forças antagônicas

Que se atraem pela necessidade mútua

De elementos próprios de cada um desses mundos.

É a permuta constante desses elementos

Que garante a harmonia e a sobrevivência

Desse universo chamado casamento.

Homem e mulher se encontram,

Constroem sonhos e erguem sua morada

Nos terrenos do amor.

Mas os ventos nem sempre são serenos.

Às vezes, arrancam flores

E outras sementes começam a germinar

Pelos canteiros da casa.

Dois mundos em guerra medindo forças que antes se completavam.

É preciso fechar os olhos e enxergar os primeiros jardins,

As primeiras flores...

De onde vinham as sementes?

Talvez ainda existam algumas delas guardadas num lugar seguro.

É hora de arrancar as flores murchas com todos os seus espinhos,

Trabalhar novamente o terreno e plantar novas flores.

Quem sabe assim não renasçam os sentimentos

Soterrados na rotina da convivência,

Perdidos nas inúmeras tempestades?

Mas...

Quando a presença do outro nos provoca irritabilidade,

Quando os olhos disparam impropérios que estremecem até a alma

Quando o respeito já tem suas bases corroídas pela acidez das palavras

E elas escorrem nos lábios como o veneno de uma víbora,

Quando o desejo torna-se aversão...

O casamento já acabou.

Viver numa atmosfera de discórdia

É abrir as portas para que entrem todos os demônios

Que habitam os esgotos do ódio.

Romper o laço conjugal pode ser a única forma de recuperar a ternura,

De olhar o outro com respeito, de não odiá-lo.

É possível desenvolver uma outra espécie de amor

Quando o rancor não teve tempo de construir seu ninho em nosso coração,

Quando a mágoa se limita à fugacidade das circunstâncias.

A distância age como um remédio em nossas feridas,

porém, de nada vale esse distanciamento

Se insistirmos em continuar mergulhados

No lodo escuro do ressentimento.

Desejar o mal ao outro é, sem dúvida, alicerçar a própria infelicidade.

Ninguém encontra paz na revolta, na mágoa ou na vingança,

Ela nasce da nobreza dos sentimentos, da humildade, da consciência tranqüila.

Não há separação sem dor,

O fim de um casamento é sempre muito difícil,

Mas, quando a convivência torna-se um campo de conflitos

E o amor deixa de ser a razão da união entre um homem e uma mulher,

Suas almas já se divorciaram

E a separação é a condição imprescindível para o perdão.

 

Bernadete barreto

Estas e outras reflexões da Bernadete Barreto são publicadas semanalmente no Incomode-se. Não deixem de acompanhar!

Continuar Lendo

Liberdade

Liberdade

Quantos já puderam aspirar

Os ares excelsos da tua atmosfera sagrada?

Talvez alguns loucos,

Na sua complexa sabedoria hostilizada,

Ousaram encher seus pulmões com este sopro divino.

Soubessem os homens

A fragrância que exala dos teus jardins,

Buscariam neles mesmos a tua porta.

Em teu solo não cresce o preconceito,

Nem a hipocrisia banha em tuas fontes.

Diante de ti todos os medos dobram seus joelhos

E enterram suas faces nas mãos.

Somente por dentro podemos te sentir

Porque são tuas, as asas de todo pensamento.

O lado de fora nos aprisiona e nos sufoca

Com sua grossa cortina de conceitos que nos obriga a tragar a mentira

A qual molda a nossa imagem para o mundo.

Somos escravos, cárceres e carcereiros.

Presos com a chave nas próprias mãos.

Enquanto nossa alma aspira pela luz

Nosso corpo estremece ao contato do primeiro raio.

Acostumamo-nos com a escuridão da masmorra

Construída com a poeira dos séculos.

Mas, é o espelho o nosso grande opressor.

Tememos a liberdade por temer a nós mesmos.

Nossos medos têm os olhos da nossa malícia.

Fugimos da maldade dos outros

Por conhecer o fel da nossa própria maldade.

Mas podemos mudar...

Somos criaturas divinas. Fomos feitos de amor!

Temos em nossa essência uma fonte perene de luz

Cuja intensidade não podemos, sequer, imaginar.

E a nossa liberdade mora nessa luz.

Só estaremos, verdadeiramente, livres

Quando a semente da sabedoria germinar em nossos corações,

Quando libertarmos o amor que há em nós

E ele nos dirá em silêncio

Que todas outras chaves estão em suas mãos.

Bernadete Barreto 

Continuar Lendo

Somos quase anjos

Praia

“Somos quase anjos...”

Ouvi de um irmão, um dia.

E ao ouvi-lo minha alma o amou.

E seu semblante era de anjo

E sua voz tinha ternura de anjo

E tudo nele era de anjo.

Então, ele se despediu e saiu,

Mas suas palavras penetraram profundamente em meu espírito.

Olhei à minha volta

E muitos olhares se cruzaram com o meu.

O rosto das pessoas me pareceu mais iluminado

E senti uma espécie de amor por elas.

Voltei meus olhos para a janela.

Havia uma luz diferente em torno de tudo que a minha visão apreendia...

Dois pássaros pequenos voavam sobre a mata.

Meu corpo naquele momento tornou-se mais leve

E senti que também voava como eles.

Amei intensamente a liberdade.

Sentia muita paz em meu espírito.

Os meus pensamentos sorriam,

A natureza acenava para mim

E amei também a natureza.

A viagem chega ao fim.

Eu era a mesma de todos os dias,

Mas aquela voz ecoava baixinho nos recônditos do meu ser

“Somos quase anjos...”.

Tive um dia normal.

Depois do trabalho saí um pouco.

Ao entrar, “por acaso”, na loja de uma amiga,

Deparei-me com uma criança que ali esperava pela mãe,

Ela me sorriu um sorriso doce e ingênuo.

E toda a humildade e carência estavam nela.

Amei mais do que tudo, aquela criança

E o meu amor se manifestou como pôde.

Sim, meu irmão, somos quase anjos...

Quando nossa alma rompe todas as barreiras físicas

E entra em contato com outras almas

Ou com as vibrações que emanam delas.

Somos quase anjos,

Quando sentimos a manifestação de uma Força Maior

Conduzir nossos atos e sentimentos.

Somos quase anjos,

Quando a compaixão transborda pelos nossos olhos

E escorre pelas nossas mãos.

Hoje o amor soprou em meus ouvidos:

Quando somos verdadeiramente humanos

É que nos tornamos, de fato, quase anjos.

Bernadete Barreto

* Todas a semanas o Incomode-se traz as reflexões da poetiza Bernadete Barreto. Acompanhem!

Continuar Lendo

Reflexão da semana

O caminho

O CAMINHO

Deixemos de lado os nossos conflitos íntimos, os nossos medos, a nossa insatisfação e impotência diante dos obstáculos da vida.

Afastemos-nos do nosso egoísmo, da nossa indolência, comodismo e mediocridade.

Comecemos agora a trilhar um caminho fora de nós, e esse mesmo caminho nos fará voltar, mais tarde, com idéias renovadas, coração equilibrado e alma edificada. Pois é quando nos dispusemos a caminhar em direção ao outro que encontramos o verdadeiro caminho para dentro de nós mesmos. É auxiliando o próximo a superar suas dores que cicatrizamos as nossas próprias feridas.

Não basta que andemos lado a lado, faz-se necessário darmos as mãos. Somos partes de um todo. Precisamos aprender a enxergar no outro a extensão do nosso próprio ser, e a reconhecer em nós o que provém do outro. Assim, ao doarmos o nosso cuidado, amor e dedicação àqueles que nos cercam a existência, seremos sempre os maiores beneficiados. O bem que praticamos é o bem dobrado que recebemos. Ainda desconhecemos o poder educativo das nossas ações, o exercício constante do bem gera vibrações que aproximam as pessoas despertando nelas o sentimento de união e cumplicidade nas boas causas.

Alguém um dia me disse que o amor é contagioso, eu prefiro dizer que o seu exercício é contagioso, posto que não podemos contrair aquilo que já possuímos. Fomos criados através dele, ele é parte de nós, da nossa essência. Mas, podemos espalhar as flores que nascem dele ao nosso redor, e assim novas flores nascerão. Exercitá-lo é obra pertinente a cada criatura.

Quando as nossas mãos estiverem entregues ao serviço do amor, as mãos do amor estarão impostas sobre as nossas cabeças. E nós olharemos o mundo com outros olhos. Teremos, enfim, compreendido a nossa missão enquanto seres humanos.

Cada um tem um papel definido na jornada terrena e carrega em si todas as possibilidades de realização, mas só seremos capazes de experimentar a paz que dormita em nossos corações quando os nossos sentimentos e valores estiverem livres das amarras convencionais a que nos entregamos. Quando o preconceito tiver cedido lugar ao conhecimento e à compreensão, quando o orgulho tiver sido convertido em humildade, quando o amor, em sua acepção mais elevada, tiver servido de elo entre as almas de todas as criaturas que integram o universo.

Amar incondicionalmente. Eis a grande a grande finalidade de estarmos aqui.

Bernadete Barreto

Todas a semanas o Incomode-se inicia suas segundas feiras com as reflexões da poetiza Bernadete Barreto. Não deixem de acompanhar!
Continuar Lendo