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Dengue: o nosso Vietnã

Combate à dengue

Caros leitores, o assunto pode até parecer batido e você já deve estar, realmente, por dentro do problema da dengue no Brasil. Mas, a minha proposta aqui é olhar esse problema sobre outro aspecto, ou seja, INCOMODAR os leitores para que pensem reflexivamente sobre como o combate a essa endemia está sendo equivocado no nosso país.

Segundo o site www.combateadengue.com.br, os casos de dengue estão crescendo em cinco estados brasileiros no ano de 2010. Estão em alerta os estados do Acre, Rondônia,  Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, conforme lista do Ministério da Saúde. Porém, é visível que as propagandas de “conscientização” estão em alta. Então onde está o problema? Será que a população não sabe como deve proceder em casa para evitar a proliferação?

Os governantes vem a público dizer que VOCÊ cidadão tem que fazer a sua parte tampando as caixas d'água, jogando terrinha nos vasos, furando os pneus e virando as garrafas. Ok, governo, e a sua parte? Segundo o IBGE, metade dos brasileiros vive sem rede de esgoto (51,3%), sendo que a coleta e o tratamento cresce somente a 0,4% ao ano. Para se ter uma ideia, na região Norte só 9,5% das pessoas têm acesso a esse direito básico. Vale lembrar que nesses dados não entra a área de floresta inabitável, pois lá a “lei da selva” ainda faz com que os mosquitos sejam presas e não predadores.

Será que é difícil entender que a grande maioria dos mosquitos não ficam no vasinho de planta de sua casa? A maioria dos mosquitos fica nos esgotos a céu aberto, nos terrenos baldios, nas obras abandonadas e nos lixões gigantescos sem tratamento. E quando acontece as enchentes,  cada vez maiores, diga-se de passagem, o acúmulo de água parada pós-chuva multiplica o problema. Não quero aqui dizer que os trabalhos dentro de casa são ineficazes, mas sim mostrar que o problema é muito maior do que se imagina. Pois, o mosquito ganha vantagem estando no seu habitat preferido.

O mosquito da dengue é igual a qualquer espécie e segue o que Charles Darwin disse no seu grandioso trabalho sobre a evolução das espécies (séc. XIX): uma espécie só prevalece e se multiplica se as condições forem favoráveis pelo seu habitat (no caso da dengue, o clima tropical e a água parada) e se os seus predadores diretos estiverem em menor número (o predador direto do mosquito são morcegos e sapos que, pelo avanço da “selva de pedra”, estão rareando)…

O que acontece entre governo e população é a chamada transferência de responsabilidades, muito comum entre irmão mais velho e irmão mais novo na maioria das famílias, ou seja, o irmão mais velho (governo) quando quebra o vaso de porcelana da mãe com a bola, seu primeiro impulso é culpar o irmãozinho (população) pois este não tem como se defender e às vezes nem entende como a porcelana se quebrou. Mas nós devemos entender e saber porque a dengue avança e também entender porque não conseguimos acabar com ela. Devemos apontar para o irmão mais velho e dizer quem realmente é o culpado. Ou corremos o risco de termos que nos retirar dessa batalha, que, apesar de longa ainda, é justa.

Gibran Durães

 

* Para saber mais:

http://www.combateadengue.com.br/

http://portal.saude.gov.br/saude/area.cfm?id_area=920

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Divirtam-se, cuidando-se

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É tempo de carnaval, e, em todos os cantos do Brasil, milhares de foliões vão se entregar a uma mistura de sensações e prazeres que muitas vezes podem trazer algumas consequências ruins à nossa saúde. Quero dar destaque aqui, a ainda grande epidemia de AIDS que assola o país: por ser uma doença transmissível sexualmente, os números de contágio em época de carnaval aumentam, principalmente entre os jovens. Nessa época de entrega, muitos esquecem ou simplesmente ignoram que a única forma de não contrair o vírus HIV é utilizando preservativos. O agravante é que muitas pessoas têm a ideia errônea de que o coquetel de remédios para tratamento tornou a doença não letal. Outro problema foi a estigmatização da doença nos anos 80, quando foi definida como uma doença de grupos de risco (homossexuais e usuários de drogas injetáveis), o que fez com que a maioria das pessoas não se vissem como alvo da enfermidade.

No entanto, segundo dados recentes do Ministério da Saúde, na última década a síndrome chegou a atingir os homens em número muito maios, e a forma de transmissão foi a heterossexua. Os registros de contágio homossexuais só são maiores na faixa etária dos 13 aos 24 anos. Já na faixa entre 13 e 19 anos as maiores vítimas são mulheres. Esses dados corroboram a tese de que a epidemia mudou suas características ao longo do tempo e de que ninguém está a salvo dela.

Como proteger os nossos jovens então? O sexo está por toda a parte: na TV, na internet, no cinema, nos anúncios publicitários. Na época de Carnaval essa exposição se exacerba e cria-se quase que uma obrigação para os adolescentes. As músicas, principalmente as nossas pérolas baianas, incentivam essa sedução precoce. A liberdade que vemos hoje não se traduz em um debate franco e aberto sobre como o sexo meramente casual acontece cada vez mais entre os jovens. Muitos pais não acreditam que seus filhos de 13 anos possam estar transando e, ainda mais, que estejam desprotegidos.

Devemos então abrir os olhos para ver como nós e nossa família somos vulneráveis, e estender a roda de discussões sobre os fatos acerca da doença. Só com um diálogo bem trabalhado, seja no grupo familiar ou de amigos, poderemos ver esses números acima mudarem. O sexo sempre vai estar ao alcance dos jovens, eles sempre vão decidir a hora de fazer, mas a forma de fazer ainda pode ser bem orientada e as consequências negativas do ato podem cair cada vez mais nas estatísticas.

GIbran Durães

 

* Para saber mais:

www.saude.gov.br

www.usesempre.com.br

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