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Violência contra o idoso

Olhar idoso

Bem, sabemos que os idosos são vítimas de uma série de atos de violência, desrespeito, humilhações, dentre outras barbaridades... Alguns centros de saúde se especializam no cuidado ao idoso, proporcionando segurança e bem-estar para eles.

Pesquisadores da FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz) publicaram recentemente que o abuso financeiro, psicológico e o abandono da família, são as formas de violência mais citadas pelos idosos nos Centros Integrados de Atenção e Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa (Ciapi), segundo pesquisa avaliativa realizada pelo Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/*ENSP/Fiocruz).

O coordenador geral dos Direitos do Idoso da SEDH (Secretaria Especial dos Direitos Humanos), Roberto Loyola, reconhece a importância dos Centros Integrados de Atenção e Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa, pois, para ele, “se trata de um espaço importante de denúncia de maus-tratos e acolhimento”. "É difícil um idoso ir até uma delegacia para, muitas vezes, denunciar um filho ou um membro da família. No Centro, por intermédio de uma equipe multidisciplinar, há um trabalho com o indivíduo e ele é ouvido", comentou o pesquisador.

Os dados preliminares do estudo foram apresentados no seminário de Avaliação da Atenção à Violência contra a Pessoa Idosa (AACPI), realizado pelo Claves e pela SEDH da Presidência da República em maio. O evento reuniu os coordenadores dos 18 centros do país que discutiram a pesquisa e elaborararam o relatório final com base nos dados.

Como sabemos, existe uma rede de proteção ao idoso, acredito nas redes organizacionais, nas ONGs, mas falta à principal rede, a rede da consciência destas pessoas que praticam um ato tão covarde!

*Escola Nacional de Saúde Pública.

Mais informações:

http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/materia/index.php?origem=2&matid=21547

Ricardo Durães

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Começou…

serra-e-dilma

Confesso que tenho relutado com certa veemência em adentrar na discussão sobre a sucessão presidencial. Sim, embora tenha feito, aqui mesmo nesse espaço, diversas criticas ao governo, até então elas se restringiram muito mais às posturas e declarações do presidente Lula. Podem argumentar que a Dilma faz parte do governo e por isso a minha justificativa é descabida, mas convenhamos, ser ministro é uma coisa, ser candidato à presidência da República é outra coisa.

Não nutro grandes simpatias por José Serra. Quanto à Dilma, até muito pouco tempo, era completamente indiferente. Por isso, ainda não assumi declaradamente uma posição ou uma oposição. No entanto, a guerra, ao menos na grande mídia, já começou.

A revista VEJA dessa semana, com toda a “imparcialidade” que lhe é peculiar, estampa na sua capa um sorridente José Serra, sobre o emblemático título “Serra e o pós-Lula”, citando logo abaixo uma frase do presidenciável: “Eu me preparei a vida inteira para ser presidente”. Honestamente, não vejo nada de mais nisso. A VEJA é uma revista “imparcial”, nada tendenciosa. Perdoem-me a minha miopia.

Segundo noticia da Folha online de 19/04, o jornalista responsável pela coordenação da campanha de Dilma Rousseff na internet, Marcelo Branco, conseguiu enxergar propaganda subliminar pró-Serra no vídeo comemorativo dos 45 anos da TV Globo, que começou a veicular na noite de domingo. No outro dia a emissora resolveu tirar o vídeo do ar. Em nota a emissora esclareceu: “qualquer profissional de comunicação sabe que uma campanha como esta demanda tempo para ser elaborada. Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme."

É inegável que os meios de comunicação de massa exercem um poder enorme, e muitas vezes até decidem uma eleição. É inegável também que assim como as demais empresas e instituições, eles norteiam os seus apoios, ainda que disfarçando-os, de acordo com os seus interesses políticos, econômicos, financeiros, etc., e isso não é nenhum crime, nenhum pecado. No entanto, a aura de imparcialidade e objetividade que tentam transmitir, é o que incomoda.

Lembro-me que na última eleição presidencial a revista Carta Capital, em editorial, declarou abertamente o seu apoio à reeleição de Lula, o que, obviamente, foi motivo de inúmeras discussões nas academias, nas ruas e na própria imprensa. Questionava-se naquele momento a conduta de um meio de comunicação que, na sua gênese, segundo as teses contrarias à postura da revista, deveria manter-se imparcial. Na minha modesta opinião, bobagem, balela...

Acho que a Globo não deveria ter tirado o seu vídeo do ar. Assim como acho que, mesmo sendo um critico ferrenho da revista VEJA, ela também não deve tirar os exemplares da revista de circulação. Acredito que os jornais, assim como qualquer instituição, também têm direito à opinião, no entanto, que as assumam, assim como fez Carta Capital. O que não dá é pra continuar com essa hipocrisia de dizer que são imparciais, que não tem preferências. Que assumam abertamente suas posturas, pois só assim poderão auxiliar democraticamente o público nas suas escolhas.

J. Dannieslei

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Um “crime” para atender ao social

Casal Nardoni

Não queria tratar desse assunto nessa coluna, por ser um assunto batido demais nos últimos dias pela grande mídia nacional. Isso torna o debate chato e repetitivo, além de ser um exagero de notícia, quer dizer, de uma “não-notícia”, já que todos sabem tudo sobre o fato, assim, para que repetir? Termina (re)produzindo apenas “sentimentalismos”. Nossa entrada no tema será de outro tipo. Sim, estou falando do crime dos “Nardoni”. Todavia, nossa intenção aqui não é saber quem matou ou deixou de matar, se foi o pai, a madrasta ou um “terceiro elemento”. Para nossa reflexão, isso não interessa, não vem ao caso. O que vale aqui é o próprio crime. Nem queremos saber das intenções por trás desse ato, digo das intencionalidades subjacentes, dos desejos e vontades envolvidos (das causas individuais). Isso também não importa.

Queremos ressaltar, trazendo em cena pela segunda vez nesse espaço, o sociólogo francês clássico da sociologia, Émile Durkheim (1858-1917), o papel desempenhado por esse tipo de crime no fortalecimento da “moral social”. Lembrando que para este autor, a moral sempre é social, no sentido de ter sido e ser produzida socialmente, fruto de coletividades, que pode vir se alterando com o tempo. A própria censura posta sobre um acontecimento numa época histórica determinada pode deixar de ser em outra. Quer dizer, no pensamento durkheimiano, o que era reprimido ou tomado como algo “desviante”, como “crime”, em um período, pode deixar de sê-lo em outro. Isso tanto no âmbito da objetividade das leis, do direito, das proibições e sanções, quanto no âmbito difuso da moral “em si”, da tradição, dos costumes.

Portanto, não se pode deixar de lado essa dimensão histórica e processual da moral. Não sendo, pois, algo estático/fixo por toda vida, como alguns acreditam e defendem ostensivamente. Mas, nesse caso, é algo dos mais repulsivos e odiados socialmente, escrito como crime nas leis do direito, no direito penal. No caso de um crime contra uma criança, ainda mais num contexto aparentemente “banal”, representa algo por demais ostensivo e dado a punições que, quanto mais severas, melhor para a satisfação do conjunto da sociedade.

Pensemos por um momento como a “comoção social”, apesar de ter sido tão estimulada pela mídia, funcionou como a própria manifestação de um pensamento coletivo em processo. Nos termos durkheimianos, podemos dizer que aquilo foi a manifestação da “consciência coletiva” ou da sociedade “em nós”. As pessoas na porta do tribunal nos dias do julgamento também cumpriram esse papel. Curioso como muitos vibraram, a cada dia, com o andamento do caso e depois, no dia da condenação, a exaltação se generalizou. O social, enquanto coletividade, tem um poder assombroso. Basta ver a reação que os “populares” tiveram diante de um indivíduo que queria defender sua opinião, afirmando que o casal poderia ser inocente: imediatamente, foi contido pela coletividade.

Esse crime cumpre uma “função social”, que tem uma “conseqüência” inscrita, esperada: a pena. Na verdade, o crime só é tido como um crime por ferir a consciência coletiva, só por isso. Cabe a resposta ao crime, a punição/castigo, servir como um “remédio social” para sanar essa “ofensa” ou “fissura” na moral da sociedade. Esse é o próprio “efeito” do crime: fortalecer a moral através da pena. É como se aquele tipo de crime, horrendo, tivesse ferido/ofendido algo que de mais “sagrado” existe no mundo social, a própria coletividade.

Para Durkheim, o coletivo é sempre mais importante que os segmentos individuais, infinitamente superior à soma de suas partes constitutivas, mesmo porque, forma algo diferente, forma algo peculiar, “sui generis”. É claro que tal episódio ganhou tanta comoção por ter sido um crime cometido contra uma criança pequena (indefesa), “branca”, de família de classe média ou média alta de São Paulo. É conhecida a existência de crimes similares no Brasil, mas que não ganham, sequer, uma chamada no jornal regional ou que rapidamente são esquecidos por causa de algum outro assunto do momento. Pelo simples fato de terem ocorrido com pessoas pobres e em lugares pouco relevantes economicamente.

Portanto, no pensamento durkheimiano, a compreensão e explicação dos fatos têm sempre que serem buscados no social, já que são eminentemente de ordem social, são fatos “sociais”. Com o crime não poderia ser diferente. Também é sabido que, para o autor, tal tipo de crime (homicídio) dificilmente poderia abalar a estrutura social como pode ocorrer com questões econômicas – apesar de ser visto, no direito penal, como o “maior dos crimes”. Contudo, a esfera moral perpassa toda a sociedade e é vivenciada por todos os seus membros de uma forma ou de outra, todos estão embebidos de elementos de moral, seja decorrente da coletividade em si, parte da consciência coletiva, ou travestida via grupos sociais, dos quais fazemos parte. Tudo é fruto de nossa socialização e convivência social. Por isso, devemos sempre pôr “dois pesos e duas medidas” diante dos fatos postos e vivenciados na sociedade para se evitar paixões excessivas ou perspectivas individualizadas ao extremo, o social deve ser compreendido pelo social, diria Durkheim.

Bruno Durães

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“Boicote” político

Flores na sede da google china

Muita gente deve ter visto nos últimos noticiários que o governo chinês, depois de acirradas discussões, conseguiu desativar parte importante dos serviços do site Google no país. Na segunda-feira, a gigante da internet, oficialmente, desativou seu principal site em chinês e começou a redirecionar as buscas para outro site em Hong Kong.

A empresa já vinha travando uma guerra com o partido comunista chinês.  E o embate, que já durava cerca de dois meses, culminou com a posição do Google em não aceitar a auto-censura exigida pelo governo do país. Uma vez que o site teria que determinar sérias restrições aos usuários domésticos do site e da Internet.

A medida enfureceu parte da opinião pública chinesa que, indignada, realizou uma série de protestos contra a “morte” do maior site de buscas no país: flores foram colocadas em frente à sede da empresa em Pequim (veja a foto acima) e muitos críticos se posicionaram contra a decisão… No entanto, além dos protestos, a coisa parece ter adentrado em um terreno um pouco mais “espinhoso”.  

Nesta quarta-feira, um jornal do Partido Comunista Chinês veio a público para acusar o Google de ajudar na ação de espiões dos Estados Unidos. O jornal intitulado “o diário do povo” veementemente  afirmou que a censura chinesa sobre a empresa nada mais é do que uma “representação” dos esforços de Pequim para desenvolver o “crescimento tecnológico interno” no país. E que, para o jornal (que, inclusive, é a maior publicação do partido comunista), a disputa sobre esta questão do Google nada mais é do que uma tentativa inaceitável de desafiar a autoridade do governo:

“Para o povo chinês, o Google não é deus, e mesmo que faça todo um espetáculo sobre políticas e valores, ainda não é deus. […] Na verdade, o Google não é virgem quando se trata de valores. Sua cooperação e conivência com a inteligência dos Estados Unidos e agências de segurança é bem conhecida", disse o jornal.

Fonte: Uol tecnologia

Em outras palavras, a saída do Google da China foi, eminentemente, uma decisão de cunho político. A antiga veia comunista e autoritária do governo chinês absurdamente falou mais alto nesta questão.

Cabe lembrar que censura e Internet nunca combinaram, e que tudo isso é mais um exemplo de que o autoritarismo só traz prejuízos a um povo. Afinal, o acesso irrestrito á informação é um direito humano que deve ser respeitado em sua primazia…

 Henrique Oliveira

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Exagero ou justiça?


etica-trabalho

O comportamento ético no ambiente de trabalho é um requisito para qualquer funcionário, de qualquer empresa que queira oferecer um serviço de qualidade e sólido no mercado. Boa parte dessa “postura ética”, tão prezada nas empresas, vem das atitudes diárias dos funcionários. Ser cortês, justo e honesto nas diversas relações profissionais faz, invariavelmente, com que um funcionário seja bem quisto no local de trabalho. E a empresa, por sua vez, vê com muito maior satisfação o trabalho desenvolvido...
Está certo que as relações de trabalho muitas vezes são desgastantes, envolvem clima competitivo e prazos apertados - circunstâncias que, vez ou outra, provocam explosões. Mas cabe à empresa criar estratégias para detectar e evitar que elas se repitam, como canais específicos para que os funcionários comuniquem o problema. Em nome da transparência, a Schering do Brasil lançou em 2003 um código de conduta. Lá, se a pessoa não se sentir à vontade para conversar com o superior imediato do assediador, recorre ao comitê de ética, que tem representantes de vários setores da empresa e autonomia para encaminhar a questão. A existência de uma instância neutra que acolha a denúncia é um ponto importante. Outro é a apuração imparcial - sem punir o reclamante e escolhendo a solução mais adequada para quem assedia. "Às vezes, o chefe necessita apenas de um treinamento mais cuidadoso", explica Levy. "O pior é quando o assédio ocorre em empresas pequenas e parte do dono. Nesse caso, a saída é procurar outro emprego ou partir para a Justiça", diz o consultor Gutemberg de Macedo.
Fonte: Cláudia
Ou seja, é de suma importância que funcionários e empresa estejam sempre vigilantes no âmbito das ações do seu dia-a-dia. Uma vez que, este fator será crucial no seu bom relacionamento com as pessoas que necessitam dos serviços e/ou produtos oferecidos e, no final das contas, são quem pagam o salário de todos.
 
No entanto, muitas vezes o rigor na punição de atos considerados “antiéticos” no ambiente de trabalho parecem romper a fronteira da coerência e adentrar em verdadeiros exageros. Em outras palavras, muitas vezes as corporações aparentam punir com excessivo rigor alguns atos dos funcionários. Foi, por exemplo, o que aconteceu com o  funcionário de um call center no reino unido. Ele foi punido por comer um pacote de biscoitos de uma colega
Michael Campbell achou que não faria mal avançar no pacote de biscoitos que pertencia à colega Pamela Harrison. Furiosa ao descobrir que os biscoitos haviam sumido, ela checou a gravação e chegou ao culpado – que ela acusou de roubo e por isso foi preso. No início, Campbell negou a acusação, mas diante do juiz acabou confessando sua culpa, dizendo que havia pensado que os biscoitos eram para consumo de toda a equipe do escritório.Através de seu advogado, Pamela Harrison disse que ficou decepcionada ao perceber que um colega de trabalho havia invadido seu espaço pessoal para tirar itens que, embora de pouco valor, a fizeram se sentir insegura.
Apesar de a sanção pelo “furto” parecer justa para alguns, creio que este tipo de punição beira muito ao exagero. É claro que ter uma conduta ética no ambiente de trabalho requer uma vigilância constante, até nos menores atos. Mas, daí a prender uma pessoa por ter comido um pacote de biscoitos vai uma grande distância. Afinal, com uma boa conversa os companheiros de trabalho poderiam ter resolvido o problema sem tanto estardalhaço.

Creio que nesse ponto o que se quis justiça, nada mais foi do que uma ação exagerada…

E vocês, leitores, o que acham?

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Redução da maioridade penal: sim

maioridade penal

Que o Brasil, para amadurecer enquanto nação democrática e de direito, precisa se reformar em diversos setores, é fato. Precisa de uma reforma política, talvez a mais urgente, reforma administrativa, reforma tributária, reforma agrária, etc. A maior parte dessas reformas já tem projetos tramitando no congresso nacional há décadas, algumas delas já até se desenharam, implementando no nosso sistema algumas mudanças, no entanto, nada significativo. Mas o que eu quero tratar nesse espaço é um tema que, esporadicamente, quando acontece um fato muito relevante, toma conta dos jornais, incendeia os corações, aclama a opinião pública, provoca passeatas, protestos, mobilização de todas as entidades defensoras de direitos humanos...

Antes de dar prosseguimento, gostaria que entendessem como “fato relevante” a morte de um filho da classe média, o seqüestro de um artista, de um empresário, enfim, algo que aconteça com alguma personalidade. Sim, porque agora parece que a personalidade é atributo personalíssimo de determinadas castas. Refiro-me à mudança na lei 8.069 de 13 de julho de 1990, mais conhecido como Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), principalmente no que se refere à maioridade penal.

Mês passado, o caso João Hélio Fernandes, aquele que foi arrastado, preso ao cinto de segurança do carro por vários quilômetros, voltou ao noticiário, tanto porque fez três anos do acontecimento, ocorrido em 07/02/2007, e também porque a justiça do Rio de Janeiro resolveu incluir o menor envolvido no crime no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM), o que serviu não apenas como motivo de protesto de vários setores da sociedade, especialmente da família do garoto, bem como reacendeu o debate sobre a redução da maioridade penal.

Pela nossa legislação, quem comete um crime a partir dos 18 anos de idade é julgado de acordo com o código penal; os menores de dezoito e maiores de doze, são julgados de acordo com o ECA, e os menores de 12, são inimputáveis.

Além das faixas etárias supracitadas, outros pontos do Estatuto da Criança e do Adolescente são bastante controversos. Em primeiro lugar, não importa o delito, assassinato, furto, seqüestro, não existe menor criminoso, existe menor infrator. O segundo ponto é que eles não ficam em presídios, (o que é mais que compreensível. Afinal, misturar jovens infratores a criminosos gabaritados seria de uma irresponsabilidade dantesca), os jovens infratores ficam em casas de correção e ressocialização, ao menos teoricamente, já que, se nos permitirmos nos desfazer das hipocrisias, não corrigem e não ressocializam ninguém.

Um terceiro ponto é que não se pode exceder o tempo de permanência dos jovens nesses internatos por mais de três anos. Caso o menor atinja esse tempo, ele, compulsoriamente, vai pra rua, sem se falar ainda que, atingido os dezoito anos, não importa se o crime foi cometido aos dezessete anos e onze meses, ele sai pra recomeçar a sua vida, como se nunca, nada tivesse acontecido.

Atualmente as opiniões se dividem em três sentidos. Há os que defendem uma redução da maioridade penal, mas ainda de acordo com o Estatuto vigente. Há os que defendem uma mudança no Estatuto por considerá-lo muito brando. E há, ainda, aqueles que acham que não deve mudar nada; que mudar a lei, pura e simplesmente, não refletirá na diminuição da criminalidade juvenil.

Concordo que mudar a lei, pura e simplesmente, não resolverá nenhum problema, no entanto, as disposições do ECA, além de outros ingredientes sociais como a pobreza, a falta de educação adequada, o desemprego, tem sido um fator determinante para o ingresso de jovens na criminalidade. Muitos deles são recrutados por criminosos para cometer delitos, tendo em vista que não ficarão muito tempo presos. Nesse sentido, tendo em vista que o núcleo principal do estatuto (reeducar, ressocializar e reinserir o menor infrator ao convívio social harmônico) não se aperfeiçoa, o ECA tem servido apenas como a positivação da certeza da impunidade.

Por isso, embora estejamos longe de chegar a um consenso, eu me filio à corrente favorável à redução da maioridade penal, se para 16,14 ou 10, ainda não estou convencido, mas algo tem que mudar. Argumentar que uma pessoa, com os meios de acesso às informações disponíveis atualmente, não sabe se matar alguém é certo ou errado, por não ter “personalidade formada”, me parece um argumento que não só não se sustenta, como incorpora o cinismo, julgando todos os demais cidadãos pelo nível da imbecilidade.

J. Dannieslei

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Deputados batem boca no Twitter

Truculência, ameaças, insultos, acusações… Por que, volta e meia, nos cenários políticos brasileiros, vemos estes absurdos se repetindo? Será que a nossa velha classe governante não aprendeu, depois de tantos anos no poder, a se controlar; a adotar um tom mais respeitoso e compatível com o cargo que ocupam?

Bem, na Bahia, desde os idos do antigo ACM, é na “força” que se costuma resolver  pendências políticas. É demonstrando poder e, principalmente, influência econômica e eleitoreira que se mantêm os críticos caladinhos, sem reclamar. E não é só aqui: foi com ameaças que, recentemente, vimos o Collor e o Renan Calheiros dando um “chega pra lá” no conhecido senador  Pedro Simon (não viu, não lembra? Clique aqui), e hoje, foi com ofensas que a Bahia assistiu estupefata um de seus deputados federais trocar farpas com um “inimigo” via twitter.

O deputado e presidente do Esporte Clube Bahia, Marcelo Guimarães (PMDB), respondeu violentamente a um comentário feito pelo deputado estadual João Bacelar (PTN). Bacelar enviou aos seus contatos no Twitter a expressão “fora @marceloguima” como uma espécie de “protesto” contra Guimarães. Logo depois, o deputado peemedebista respondeu:

twitter-marcelo-guima

  João Bacelar responde:

Joao barcelar twitter

O bate boca entre os deputados ganhou destaque na mídia local e, com certeza, é mais um exemplo daquele velho estilo “brazuca” de se fazer política: o estilo onde impera o “não fale de mim se não eu posso falar de você”. O exemplo do acesso de fúria do Fernando Collor e, agora, essa discussão entre os deputados baianos, demonstram que muita coisa ainda reside por debaixo das cortinas dos cenários políticos. Coisas que o povo, iludido com as migalhas que lhes sobram, sequer desconfia que aconteçam. Mas que, sem dúvida, fazem parte da podridão dessa verdadeira “caixa de pandora” em que se transformaram os nossos governos… 

Será que iremos continuar assim?

Henrique Oliveira

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Uma declaração que nega uma história

Lula e fidel

Estamos chegando ao fim do governo Lula. Confesso que a expectativa que criei com a ascensão de um operário à presidência da República foi muito grande e, talvez por isso, certa dose de frustração seja inevitável. Talvez seja inevitável também pela relação que ele conseguiu, à época, estabelecer com a minha geração. Lembro-me que em 2002, tínhamos dezesseis anos, eu e minha turma, e fomos em bando tirar o nosso título de eleitor, só para votar no Lula. De certa forma, devo a ele o despertar da minha cidadania.

Ainda não parei para fazer uma avaliação mais detida sobre os seus mandatos, mas, de antemão, uma coisa é inegável: diverti-me em demasia com as declarações do nosso presidente. Talvez, nunca antes na história desse país, um presidente da república tenha impactado tanto com as palavras. Algumas nos distraíram, outras nos alegraram, outras tantas nos enfureceram, outras emocionaram, e a maior parte delas nos divertiu.

Entretanto, suas últimas declarações em relação aos presos políticos de Cuba, são, no mínimo, infelizes. Se quisermos deixar de lado os eufemismos, despropositadas, incoerentes, insensíveis, etc. Fazer comparações futebolísticas sobre todo e qualquer assunto, vá lá, mas comparar presos políticos a prisioneiros comuns é um pouquinho de mais. Disse Lula:

“acredito que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem a liberdade?”

Convenhamos, comparar assassinos, ladrões, estupradores, a presos políticos que, com razão ou não, não é meu objetivo aqui entrar no mérito da questão sobre o regime cubano, é um disparate como nunca se viu na história desse país. Ainda mais vindo de uma pessoa que vivenciou na pele uma ditadura militar e que se arrota um defensor inexorável da democracia.

Creio que a declaração do nosso presidente atenta não apenas quanto ao legítimo direito dos cidadãos cubanos, que poderiam ser de qualquer outra nacionalidade, isso é o que menos importa, de se incomodarem com o regime do seu país; a declaração do Lula nega a sua própria história, tendo em vista que, houve um tempo em que ele foi líder sindical, que, entre outras coisas, combatia uma ditadura. O que se depreende da sua lógica e que, a mim, não parece coerente, é que há que se considerar ilícita a greve de fome como uma alternativa para se lutar por uma causa e, por outro lado, considerar legítimos o seqüestro, a mentira, a luta armada, como os mais benévolos meios em favor dos direitos humanos.

Sim. Talvez não em pessoa, mas notáveis companheiros do nosso presidente como Jose Dirceu, José Genoíno, entre outros, utilizaram-se desses recursos quando da nossa ditadura e o Lula nunca veio a público dizer que erraram. Ocasião também não faltou, tendo em vista que recentemente o presidente viu, na Comissão de Infra Estrutura do Senado, a sua Ministra Chefe e candidata a sua sucessão, dizer que, entre outras coisas, mentiu e que se orgulha de ter mentido na ditadura. Para os que não se lembram, eis o que disse a ministra Dilma sobre a sua postura na ditadura: “Qualquer pessoa que ousar falar a verdade para os torturadores, entrega os seus iguais. Eu me orgulho muito de ter mentido na tortura", disse Dilma. Na época, a ministra foi aplaudida, ovacionada, celebrada, e ninguém contestou.

Creio que, se o Lula, assim como ele disse, acha que as decisões do governo e da justiça de Cuba têm que ser respeitadas, ele se esquece que na ditadura brasileira por ele combatida, também havia leis e justiça. Havia a Lei de Segurança Nacional, havia os temíveis atos institucionais, etc. Mas, mais do que isso, ele teria que se lembrar que também há que se respeitar os direitos dos cidadãos cubanos de discordarem do regime vigente em seu país, assim como um dia, nós discordamos do nosso. Gosto do Lula, e é por isso que ainda procuro uma justificativa plausível para esse disparate, mas não encontro, nada justifica. O Lula tem todo o direito, enquanto cidadão, de ter suas crenças, suas preferências, suas simpatias, como já demonstrou várias vezes que as tem em relação aos irmãos Castro. Mas, enquanto chefe de governo, tendo em vista que ele esteve em Cuba não por ser Luis Inácio Lula da Silva, mas por ser Presidente da República Federativa do Brasil, ele teria, no mínimo, que ser mais prudente e cuidadoso. Enfim, nesse episódio, embora vivamos nós numa democracia, a atitude mais sensata para o nosso presidente teria sido calar-se.

J. Dannieslei

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O problema da hidropirataria

Rio amazonas

Ontem, assistindo aos noticiários da TV, me deparei  com uma prática que, até então, não sabia que estava sendo tão praticada no  nosso país. Trata-se da hidorpirataria. o nome meio complicado serve para designar o ato de se roubar (roubar mesmo) águas de um determinado local para vender em  outro – uma espécie de “comércio ilegal de águas”. 

O nome hidropirataria foi dado pela imprensa e caracteriza um problema real no país. Literalmente, nós estamos tendo as águas dos rios amazônicos sendo contrabandeadas, pirateadas mesmo! No entanto, a falta de denúncias formais (pelo menos é isso que as autoridades alegam) impede  uma ação mais incisiva a Agência Nacional de Águas (ANA).

A diretoria da ANA, responsável pela fiscalização dos recursos hídricos, sabe da hidropirataria. Até a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) conhece o assunto.  Um relatório secreto da maçonaria também denuncia o roubo da água da Amazônia, que ocorre na foz do rio Amazonas, na altura do Amapá.

Fonte: nadiatimm

Como se não bastassem as queimadas e  os desmatamentos que destroem a floresta amazônica, agora estão roubando as águas dos rios da nossa maior riqueza florestal. Isso é até previsível se pensarmos que, em países do oriente médio, por exemplo, se compra água a peso de ouro. E não são  todos os países  que tem a “sorte” de ter rios caudalosos com água de extrema  qualidade, como são os rios  da Amazônia.

Não faz muito tempo que algumas entidades denunciaram o roubo da nossas águas. Segundo diversas autoridades, navios que descarregavam suas mercadorias em portos amazônicos voltavam aos seus países de origem cheios de água para vender. E o negócio é lucrativo:

A captação de água seria feita por petroleiros no rio Amazonas. A foz do rio, o maior do mundo, tem 320 quilômetros de extensão, na costa do Amapá, despejando no Oceano Atlântico pelo menos 200 mil metros cúbicos de água por segundo. Na foz, a profundidade média é em torno de 50 metros, o que suporta o trânsito de grandes cargueiros. O contrabando é facilitado pela ausência de fiscalização na área. Um navio petroleiro armazenaria o equivalente a meio dia de água utilizada pela cidade de Manaus, de 1,5 milhão de habitantes. […] Essa água, apesar de conter uma gama residual imensa e a maior parte de origem mineral, pode ser facilmente tratada. Para empresas engarrafadoras, tanto da Europa como do Oriente Médio, trabalhar com essa água, mesmo no estado bruto, representa uma grande economia. O custo por litro tratado é muito inferior aos processos de dessalinizar águas subterrâneas ou oceânicas, além de livrar-se do pagamento das altas taxas de utilização das águas dos rios europeus.

Fonte: Nadiatimm

Cabe lembrar, no entanto, que, por lei, o Brasil teria que defender a posse de suas águas, que são tratadas como “bens da União” no artigo 20º da nossa Constituição. Porém, o que vemos, mais uma vez, é uma total falta de controle. Precisamos lembrar que a Amazônia é a maior reserva de água doce do planeta e que isso, não nos enganemos, é  uma riqueza imensurável  para muita gente.

Não podemos permitir que nossa água seja roubada aqui, para atender interesses econômicos de empresas estrangeiras lá fora. É parecido com a  biopirataria: não dá para conceber que outros países desfrutem das nossas riquezas naturais antes de nós. Afinal,  nossa soberania não pode ser apenas uma palavra bonita para discursos políticos…

Henrique Oliveira

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Mais sobre cotas

cotasVou tentar, ainda que brevemente, defender outro ponto de vista, apesar de não “provar” nada. Aliás, ninguém conseguirá provar nada sobre essa questão se levar em consideração apenas o lado “individual” do assunto, principalmente, as brilhantes trajetórias de vida, de sucesso/superação, que sem sombra de dúvidas são relevantes, mas são apenas trajetórias singularizadas. Acredito que o olhar tem que ser amplo, com uma mirada que dê conta minimamente do passado histórico-social do povo brasileiro, como diria Darcy Ribeiro, do povo miscigenado (ou mestiço).

A  primeira coisa que quero apresentar se refere a um fato objetivo. Existe no Brasil uma segregação por “cores”. Pensemos um pouco. Em quais tipos de trabalhos estão normalmente empregados os negros, sobretudo, os “pretos”? Em quais bairros estão morando? Quais lugares (bares, restaurantes, shoppings, lojas, teatros, shows etc.) costumam frequentar ou ter acesso (financeiro, espacial)? E quais bens possuem com maior facilidade? Portanto, seja no consumo de produtos (e serviços), seja diretamente em postos de trabalhos, sobretudo, em grandes cargos, ou na própria estrutura de comando do país, nos postos de controle, de decisão, de gestão, muitos poucos são os “pretos” que lá estão. O que quero dizer? Que existe um fosso abissal entre culturas (ou até entre “raças”, apesar de não gostar do uso desse termo. Chego a preferir o uso do termo etnia).

Esse é um argumento extremamente objetivo, real, sem cair no mero objetivismo dos fatos, no empirismo da argumentação, para pensar em termos epistemológicos, mas apenas afirmando que se trata do mundo real, das relações sociais (concretas), da vida social no Brasil. Portanto, a sociedade brasileira é extremamente desigual e segmentada.

Vale também atrelar a esse argumento um outro que, na maioria das vezes, é colocado como contraponto. Refiro-me àquele que diz que só depende do esforço do indivíduo para alcançar qualquer posto no país. Que é isso? Mera saída “individualista”, que lança toda força ao indivíduo, produtor de si mesmo, como se ele fosse autônomo do mundo, da estrutura social, da sociedade, das instituições, e que fosse racionalmente capaz de fazer escolhas conscientes por toda sua trajetória e que em nada dependesse do mundo social circundante. Mundo esse que determina muito de sua “possibilidade” de ascensão e de composição cultural, simbólica, educacional, política, econômica etc.

Este tipo de saída sempre é usado para justificar a falta de mobilidade das pessoas, como resultante da falta de vontade e de “garra”, jogando todo o peso pelo sucesso ou fracasso no “esforço individual”. Um argumento totalmente injusto e puramente capitalista, mera abstração criada pelo sistema e por seus agentes, sobretudo, para justificar suas condições excepcionais de classe, herdadas ou adquiridas. Essa forma de (des)racionalização torna todas as pessoas iguais, as quais compartilham de um mundo similar, quase “mágico”, em que os indivíduos podem brilhar e reinar, conforme suas vontades, desejos e sonhos. É quase um mundo-cenário, onde as pessoas encenam suas realizações. Dessa forma, não se pode nem falar em desigualdades, já que todos são iguais, livres, afinal, são indivíduos, nascem assim. Logo, todos podem. Vale a máxima: “se eu consegui, todos podem...”. Independente de como será o final dessas tentativas, o que importa em demasia é a mera “possibilidade”, é o ponto de partida em comum.

Em paralelo a essas poucas questões que tratamos aqui, existe outra coisa que não pode ser deixada de lado, o Brasil por séculos teve “elites” econômicas e culturais que sempre menosprezaram as culturas e manifestações de grupos que não os seus “puros” ou “prediletos”, que substancialmente nada têm de puros, mas que foram assim classificados e consolidados.

Isto é, foi forjada uma pureza quase “racial” de herança européia, portanto, “branca” por excelência, para compor seus hábitos e perfis enquanto elite dominante do país. Tudo que não fizesse parte desse núcleo abstrato estaria fora, seria renegado e, obviamente, combatido/perseguido, também exterminado. Tudo mais faria parte do populacho, sujo, obsceno etc. Ainda hoje, determinados grupos sociais são vitimados e liquidados da vida social, quase todos compostos por “negros”, principalmente, jovens, que por não terem “utilidade social”, são descartados. Mesmo porque, é conhecido o grande contingente de desempregados e outros tantos informais, exército de reserva, para lembrar Marx, que esperam também uma oportunidade.

O sistema econômico já está saturado de empregados. Por certo, voltando, nem tudo essa “elite” conseguiu apagar ou impedir que fizesse parte de seu dia a dia. Muitas coisas dos povos indígenas e negros foram combatidas e outras incorporadas, seja na comida, na fala, nas crenças ou na cultura em geral. Não é aqui o caso de serem descritas ou aprofundadas. No geral, essas elites terminaram consolidando um tipo de “civilidade”, um tipo adequado e aceitável de vida social, de sociedade, que se lastreou numa forma conservadora e repressiva de vida, onde as partes da nação são divididas e fragmentadas por “cores”, onde cabe, normalmente, aos “negros” as partes mais laboriosas, com menos riquezas, conhecimentos e quase nenhum glamour. Nisso, haja força repressiva para conter os reclames das massas, em favelas, no campo, nas ruas, etc.

Com isso, estávamos apenas situando as linhas gerais de nossa argumentação que se delimitou em três frentes. A primeira, que se refere à discriminação e segregação de “cor” no país; a segunda, que fala do argumento individualista, em que o sucesso ou fracasso só depende de si, a via capitalista por natureza; e, a última, coloca em destaque o papel conservador, persecutório e discriminatório das elites brasileiras. Elites aqui tratadas no plural mesmo, pois não compõem, é sabido, um bloco homogêneo, ao contrário, possuem frações e variações/clivagens internas, que não cabe aqui serem explicitadas. Mesmo porque, elas não são apenas conservadoras, são também, em partes, progressistas.

Feito esses delineamentos gerais, cabe lançar nossa posição. Defendo absolutamente as COTAS, em caráter temporário, para compensar e para servir como ferramenta de conhecimento para negros e índios. Digo mais, é preciso misturar as cores (culturas e raças) nesse país, não apenas nas vielas, ruas, praias, estádios ou festas populares, como já ocorrem. É preciso misturar as “cores” nos cargos de comando, de prestígio, nos meios acadêmicos, nos postos de trabalho em geral. É preciso mexer na “elite” brasileira, quebrar sua forma monocromática, que representa muito pouco da dimensão do que é o povo brasileiro. É claro que dessa mistura muito pouco se fará do ponto de vista da diminuição das desigualdades sociais/econômicas ou culturais e políticas desse país, mesmo porque, não se está alterando a forma desigual e excludente do modo de produção capitalista. São apenas mudanças na superfície, nas frestas.

Por sinal, acho que aqui a discussão sobre como se dará a regulamentação das cotas deve ficar para depois, o que vale é sua aprovação inicial e irrestrita. Aliás, eu sempre defendia que fossem “cotas sociais”. Hoje, após reflexões, acho que pode ser uma mescla que contemple não apenas o social, mas também elementos étnicos/raciais. Algo que tem que ser debatido mais amplamente com o conjunto da sociedade, como defende Dannieslei no seu último artigo. Contanto que sejam contemplados, sobremaneira, negros e índios. O crucial é que sejam consolidas como políticas públicas, ainda que de horizonte determinado. Tem coisas que só vão mudar na “marra”. As “elites”, em suas casas confortáveis e bastante protegidas, nas “casas-fortalezas”, pouco querem saber de mexer na forma da estrutura social, ainda que na sua aparência. Elas quase sempre nem se interessam pelo assunto. Ou seja, as mudanças só ocorrem por pressão social.

Destarte, temos que unir forças e não dar espaço para oposições internas, que tratem apenas das formas de aplicabilidade do projeto. Quando se traz para o centro do debate a questão da constituição federal, aí, abre-se um espaço desnecessário para os “legalistas” de plantão, que terminam interpretando à seu modo tais leis e as usam como “camisa de força”, de modo, que nada possa ser dito de outra forma. Temos que ter cuidado com isso. Por fim, temos que lutar pelo macro e pela efetividade coletiva de determinada lei.

Bruno Durães

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