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Começou…

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Confesso que tenho relutado com certa veemência em adentrar na discussão sobre a sucessão presidencial. Sim, embora tenha feito, aqui mesmo nesse espaço, diversas criticas ao governo, até então elas se restringiram muito mais às posturas e declarações do presidente Lula. Podem argumentar que a Dilma faz parte do governo e por isso a minha justificativa é descabida, mas convenhamos, ser ministro é uma coisa, ser candidato à presidência da República é outra coisa.

Não nutro grandes simpatias por José Serra. Quanto à Dilma, até muito pouco tempo, era completamente indiferente. Por isso, ainda não assumi declaradamente uma posição ou uma oposição. No entanto, a guerra, ao menos na grande mídia, já começou.

A revista VEJA dessa semana, com toda a “imparcialidade” que lhe é peculiar, estampa na sua capa um sorridente José Serra, sobre o emblemático título “Serra e o pós-Lula”, citando logo abaixo uma frase do presidenciável: “Eu me preparei a vida inteira para ser presidente”. Honestamente, não vejo nada de mais nisso. A VEJA é uma revista “imparcial”, nada tendenciosa. Perdoem-me a minha miopia.

Segundo noticia da Folha online de 19/04, o jornalista responsável pela coordenação da campanha de Dilma Rousseff na internet, Marcelo Branco, conseguiu enxergar propaganda subliminar pró-Serra no vídeo comemorativo dos 45 anos da TV Globo, que começou a veicular na noite de domingo. No outro dia a emissora resolveu tirar o vídeo do ar. Em nota a emissora esclareceu: “qualquer profissional de comunicação sabe que uma campanha como esta demanda tempo para ser elaborada. Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme."

É inegável que os meios de comunicação de massa exercem um poder enorme, e muitas vezes até decidem uma eleição. É inegável também que assim como as demais empresas e instituições, eles norteiam os seus apoios, ainda que disfarçando-os, de acordo com os seus interesses políticos, econômicos, financeiros, etc., e isso não é nenhum crime, nenhum pecado. No entanto, a aura de imparcialidade e objetividade que tentam transmitir, é o que incomoda.

Lembro-me que na última eleição presidencial a revista Carta Capital, em editorial, declarou abertamente o seu apoio à reeleição de Lula, o que, obviamente, foi motivo de inúmeras discussões nas academias, nas ruas e na própria imprensa. Questionava-se naquele momento a conduta de um meio de comunicação que, na sua gênese, segundo as teses contrarias à postura da revista, deveria manter-se imparcial. Na minha modesta opinião, bobagem, balela...

Acho que a Globo não deveria ter tirado o seu vídeo do ar. Assim como acho que, mesmo sendo um critico ferrenho da revista VEJA, ela também não deve tirar os exemplares da revista de circulação. Acredito que os jornais, assim como qualquer instituição, também têm direito à opinião, no entanto, que as assumam, assim como fez Carta Capital. O que não dá é pra continuar com essa hipocrisia de dizer que são imparciais, que não tem preferências. Que assumam abertamente suas posturas, pois só assim poderão auxiliar democraticamente o público nas suas escolhas.

J. Dannieslei

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O sujo e o mal lavado

Amigos, o que estamos prestes a ver nos vídeos abaixo é o estado lastimável em que se encontram os grandes veículos de comunicação do Brasil. Há muito tempo, grandes grupos familiares, religiosos e empresariais vêm controlando de forma completamente monopolista o direito de veicular informação e “formar” opiniões no nosso país. O que manda no jornalismo de massa brasileiro é o jogo de interesses de grandes grupos econômicos. O interesse público, que deveria nortear o viés de todas as reportagens e matérias da imprensa, é colocado de lado e o que vemos é uma verdadeira guerra de egos e “poderes”.

Nesta semana o Brasil está assistindo estarrecido à virulenta e completamente PARCIAL troca de acusações entre a Glodo e a Rede Record. Nos últimos dias, a TV da família Marinho, por meio dos seus diversos telejornais, usou a notícia de uma denúncia do Ministério Público contra o Bispo Edir Macedo e sua “quadrilha de furtadores de fiéis”, para relembrar que o pastor e seus asseclas construíram seu império comunicacional e empresarial com o dinheiro de pessoas de boa fé. A denúncia envolve diversos crimes e aponta que o bispo Macedo seria o chefe de uma quadrilha de lavagem de dinheiro que movimenta ilicitamente cerca de 8 bilhões de reais por ano. Vejam:





Na mesma moeda, a Record responde relembrando antigas denúncias contra a Globo: como sua parceria com a ditadura, o acordo espúrio e ilegal com a empresa Time Life e a participação aberta da emissora no jogo dos conchavos políticos do nosso país, dentre outras:





O que se percebe nesse “duelo de titãs” da mamata, é que os interesses que norteiam o fluxo informacional no nosso país, realmente, passam longe do interesse público e da fantasmagórica “objetividade” jornalística. A troca de farpas entre as duas emissoras, só prova que o monopólio da comunicação, para estes grupos e famílias, é apenas mais um negócio, um verdadeiro trampolim para mais poder.

A TV globo, com certeza, deve estar com todos os seus calos doloridos por causa do crescimento da Rede Record. Porém, o fato é que o bispo Edir Macedo alimenta seus negócios com o dinheiro de pessoas de boa fé que crêem na sua dita religião. Em outras palavras, vemos um típico caso do diálogo do “sujo com mal lavado”: os dois grupos têm negócios duvidosos em sua história. Praticam o monopólio informacional guiado simplesmente pelos desígnios dos seus interesses, e isso é flagrante.

Para Globo e Record, com certeza, o que menos importa nessa história toda é o direito da população de ter informação qualificada e menos ambientada nos meandros empresariais. Nós, enquanto telespectadores dessa verdadeira bandalheira, temos sim que protestar contra o mau uso dos meios de comunicação no nosso país. Sabe como? Mudando o canal, lendo mais e sendo mais exigentes e denunciando. Só assim vamos deixar de assistir a episódios lamentáveis como estes...



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As lições de Talese

Qual a essência da escrita? O que buscamos quando nos refugiamos nas linhas do papel e quando nele nos recriamos? Essas perguntas, talvez, sejam os principais combustíveis para aqueles que se dedicam a exprimir o mundo pelas palavras, pelo ato de escrever. Jornalistas, poetas, músicos, todos eles buscam o cerne de um mundo que, basicamente, navega pela sua subjetividade, pela sua forma de encarar.

Buscando o improvável e trabalhando o indizível, muitos encontram nas palavras e na escrita seu último refúgio, seu grande alento. Contar histórias é uma arte fabulosa, uma recriação incontável de contornos fugidios de plataformas reformuláveis. Estamos imersos num universo de simbolismos, de mensagens ditas e recebidas. Somos, deveras, miúdos diante dos continentes da significação, mas somos, ao mesmo tempo, ousados: ousamos dizer, ousamos contar...

O século XX viu, com imensa admiração, a “criação” e o auge de grandes escritores: Falkner, Joyce, Saramago, García marques, Guimarães Rosa, Thomas Mann... Todos eles eram incríveis em seus mundos. Todos recriaram o entendimento que tínhamos acerca de questões que muitas vezes nos parecia trivial, mas que, no fundo, guardavam imensa beleza. Todos eles, com elevada sagacidade, eram indelevelmente dotados de uma grandiosa sensibilidade, um imenso olhar. Escrevendo, essas pessoas nos mostraram visões, nos revelaram nuances e a eles seremos muito gratos por isso.

Um infinito de talentos então se formou. Os grandes emprestaram seus para diferentes estilos de expressão pudesse nascer sob o nome da inovação. Nessa jornada de grandes nomes, nasceu também o Talento de Gay Talese. Considerado por muitos como o maior contador de histórias do século XX, Talese é uma lição, um manancial de descobertas: com seu estilo incomparável, ele criou o que se chama de “novo jornalismo”. Talese rompeu barreiras, destruiu as então infalíveis fórmulas do quadrado texto informativo da imprensa: dando prevalência, ao pequeno, ao despercebido, ele usou as ferramentas da reportagem para contar histórias de uma forma literária.

Quando jovem o velho mestre era tido como um rebelde. Ninguém gostava dos seus textos recheados de anônimos e de humanidade. Todos queriam a frieza e informação pura. Talese mostrou, porém, que a frieza da forma não poderia ser totalmente compatível com a vida intensa do conteúdo. O que ele fez foi justamente promover uma mistura onde a técnica e subjetividade se uniriam para expressar o que até então nossos olhos mortais deixavam passar pelo flanco.
Realmente, Talese criou o novo. E a novidade não foi apenas no jornalismo, foi também na nossa forma de ver, de encarar o que antes se escondia. Ele reinventou a importância do que deveria ser dito, noticiado, lido...

Gay Talese hoje é um ícone entre os escritores no mundo inteiro. E, esta semana, o escritor americano estará no Brasil. Convidado para participar da Festa Literária em Paraty no Rio de janeiro ele falará sobre o jornalismo, suas tendências e, óbvio, sobre a “vida de escritor”:





Quem sabe por, exatamente, dizer o que parece indizível, Talese seja o que é: um mestre contra as amarras da indústria de notícias pré-fabricadas. No entanto, o próprio Talese vê com preocupação com os rumos da profissão que ele intensamente mudou: o escritor não acredita no formato jornalístico da internet. Como vimos na reportagem acima, ele acha que o computador e internet são uma prisão e não a liberdade encarnada.

Para ele, muito mais importante é o contato, o sentimento direto que transborda da experiência e que inunda nossa percepção e interpretação. E, talvez, o velho mestre esteja certo: estamos nos isolando demais...

Foto: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Gay_Talese_by_David_Shankbone.jpg
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Jornalistas sem formação: o caminho da derrocada

Nesta quarta feira, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, defendeu a controversa não obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da função. Mendes era o relator do processo e foi aocmpanhado em seu voto pela maioria do integrantes do Supremo. Assim sendo, desde ontem, não mais é obrigatória a posse do diploma para o exercício da função jornalística.

Conforme publicado pela Folha Online "Mendes chegou a comparar a profissão de jornalista com a de cozinheiro. 'Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área. O Poder Público não pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no âmbito da culinária. Disso ninguém tem dúvida, o que não afasta a possibilidade do exercício abusivo e antiético dessa profissão, com riscos eventualmente até à saúde e à vida dos consumidores', disse".


Diante de tal descalabro o incomode-se publica hoje um maniefesto assinado pelo jornalista Rogério Castro e se une aos protestos pela defesa da obrigatoriedade do diploma e por um jornalismo mais profissional, ético e menos mercantilizado. E que a discussão acerca da exigência ou não do diploma possa romper as avaliações debochadas e, até, displicentes que vimos até aqui.


Leiam o texto:


Os demiurgos do STF decidiram cassar a exigência do diploma para o exercício profissional do jornalista. A primeira consideração a ser feita é quanto ao poder – no sentido de estar em condições de proceder tal julgamento – que os juízes dessa Corte – onipotentes da verdade – têm para decretar uma sentença desta. Em primeiro lugar, com qual base substancial – a não ser a do olhar imediatista do senso comum – esta argumentação está sustentada? Segundo eles, a qualificação técnica não é “requisito suficiente” a se exigir uma formação superior, além do que ser esta uma barreira – quase que automática – que interdita a liberdade de expressão. Ainda segundo essa visão unilateral, o arcabouço jurídico que instituiu o conjunto dessas regras se deu no período do governo militar.

O importante a se destacar nessas curtas linhas será suficiente para aniquilar essas interpretações reducionistas e equivocadas a respeito do ofício do jornalista. Como se quer fazer erradamente crer, a não ser para os manuais de redação (de o Globo, Folha, Estadão), inspirados nos padrões jornalísticos importados dos EUA, que em conformidade com este pensamento, pelo viés reducionista de encarar o jornalismo, inspira atitudes como esta, não é o jornalismo um conjunto esquemático, rígido de regras e normas, que assimilado mecanicamente irá encontrar correspondência com a realidade. A qualidade da informação, entendida em sentido transcendente a técnica, mas sem desprezá-la, depende de conhecimento profundo da realidade – objeto de análise do jornalista.

Não se trata de formação, em sentido vago, se trata sim de formação em sentido lato. O mediador cotidiano do público com o mundo dinâmico e cada vez mais complexo – porém não incompreensível e inapreensível – não deve, para o bem de sua função, abdicar-se desta realidade: a da complexa sociedade que é objeto de seu ofício. Isso parece lógico, mas, pela lógica irracionalista que impera na concepção de defesa, não importa a que prazo, da extinção do jornalista, opera-se exatamente o contrário, mesmo que em alguns momentos de modo inconsciente: é preciso, pela especialidade de cada área, divulgar, apresentá-las ao mundo, por ela mesma, de modo cada vez mais “conteudístico” esta parcela correspondente a parcela desta mesma realidade.

Em outras palavras, trata-se de intensificar a fragmentação da realidade, cindir os elos que juntam-na dando formato de unidade, referindo-se ao todo ao qual pertence. Isso, na melhor das hipóteses, pois sabe-se que na maioria dos casos o que vai acontecer é uma banalização – pior do que a que já existe – no exercício diário do jornalismo, julgado, por essa forma de enxergá-lo, de modo cada vez mais vulgar. Além de tudo isso, ao invés de ir na direção de uma formação densa, profunda e real do mundo, essa visão estar por decretar – com autoridade demiurga, porém sem tê-la – a desnecessidade de se ter uma compreensão abrangente da realidade na qual o produtor de notícias irá transitar para – no incessante e árduo ofício diário – relatar com propriedade e observância necessárias os acontecimentos que merecem a estatura da divulgação.

Outro ponto dessa argumentação falsa é quanto ao exercício formal ser inibidor da liberdade de expressão. A liberdade que impera na sociedade em que vivemos – relativa e não absoluta – não é, aliás, melhor dizendo, para todos. Sabe-se – a não ser os demiurgos da Corte – que os inibidores da liberdade de expressão do pensamento e de imprensa não são os jornalistas, que combateram implacavelmente a censura no Brasil no período militar – como, a não ser os plumitivas, continuam a rechaçar a censura velada que se dá a nós e pelos grandes meios de comunicação promovida pelos interesses mercantis. O ciberespaço – esse ambiente, embora não completamente livre, dado o controle dos grandes conglomerados midiáticos, relativamente descentralizado – ainda assim é um bom exemplo disso, dessa tentativa de se burlar a censura imposta pelos meios de comunicação controlados pelas elites econômicas a conteúdos que colidem com esses interesses.

Não são, então, os jornalistas os cerceadores da liberdade, os aniquiladores do direito da sociedade de ser informada, mas sim, como evidenciado, os detentores privados dos meios de comunicação, talvez os maiores interessados nesta lei, que além dos anunciantes, perfilam-se lado a lado dos defensores da atual ordem social, como não podia deixar de ser, harmônica a seus interesses.

Não se trata aqui de uma visão corporativa, mesmo que em alguns momentos possa transparecer, e isso não é (apenas) o mais importante, mas de uma tentativa de se deixar impedir a informalidade profissional, de conseqüências incomensuráveis para a sociedade. O conhecimento parcelar, ou pouco polêmico, não investigativo, não combativo, pouco criativo, é inteiramente compatível com os que pensam ser leis eternas e imutáveis regentes absolutas da forma histórica vigente.

Não pode restam dúvidas aos jornalistas e estudantes de jornalismo que terão que ser eles os deflagradores de uma intensa resistência, acompanhada de uma reflexão profunda acerca do seu papel na sociedade, a fim de buscar o impedimento da desregulamentação da profissão. Para ainda, e inclusive, não termos a indigesta, grosseira e extemporânea comparação, entre jornalistas e cozinheiros, que só mostra o despreparo e a pouca seriedade do trato de uma matéria tão importante que é a formação de opinião da sociedade.

Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2009

Rogério Castro
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)
DRT/BA: 2680
Mestrando em Serviço Social/UFAL
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5º Concurso Universitário de Jornalismo CNN


Atenção amigos, estão abertas desde o dia 24 de março as inscrições para o 5º Concurso Universitário de Jornalismo CNN. Promovido pela Turner International do Brasil Ltda, o concurso, segundo informações de seu próprio edital, tem como principal objetivo “incentivar o desenvolvimento do talento dos participantes e premiá-los pelo seu desempenho na elaboração de matérias televisivas, sendo de caráter exclusivamente cultural, sem qualquer modalidade de sorteio ou pagamento, nem vinculado à aquisição ou uso de qualquer bem, direito ou serviço”.

O concurso terá como mesa julgadora o jornalista apresentador do Roda Viva, âncora da CBN, escritor e ex-professor de História, Heródoto Barbeiro; do Jornalista, autor e diretor de TV, Marcelo Tas; e da também jornalista e Gerente Geral do Canal Futura e ex-editora do jornal local da TV Bandeirantes, Lúcia Araujo.

As inscrições poderão ser feitas até o dia 29 de junho. Lembrando que neste ano o estudante terá a possibilidade de enviar vídeos de até 2 minutos pelo YouTube, sendo que ele poderá produzir quantas matérias quiser.O concurso é somente para estudantes de jornalismo.O ganhador conhecerá os estúdios da CNN International, além de ter sua matéria exibida pelo canal.

Mais informações e realização de inscrições podem ser encontradas no site http://www.concursocnn.com.br/ .

Boa sorte aos meus amigos e futuros colegas jornalistas. E espero sinceramente ver um de vocês na CNN!
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