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Religião faz bem à saúde?

Longe de mim querer explicar esta pergunta. No máximo, o que farei aqui é expressar minha opinião sobre tal tema. E faço isso porque o assunto é bastante controverso e, por isso mesmo, a opinião de cada pessoa vale muito a pena quando se trata desse tipo de questionamento.

Já aproveitando o ensejo, alguém poderia me responder/explicar qual é o poder da religião na saúde? Existe um “poder”? Todos sabem da grande influência que a religião exerce, sendo que na prática muitas vezes isso é cada vez mais procurado. A cura através de divindades religiosas, santos, deuses, orixás, ou de qualquer coisa que proporcione melhora do ponto de vista “psicossomático e interior”, caros leitores, ainda é um recurso muito utilizdo.

clip_image002No intuito de encontrar uma nova “fonte de cura”, pessoas ainda procuram ajuda em procedimentos religiosos. Mas, será que isso funciona?

Pesquisando sobre o tema, encontrei um artigo intitulado “Religiões e saúde: a experiência da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde”, que versa exatamente sobre a experiência de pessoas que obtiveram cura através da religião. Numa entrevista realizada pelo autor (José Marmo da Silva [Silva, J.M.]), me deparei com esta declaração em que o (a) indivíduo (a) diz:

"eu fui internada várias vezes e os médicos diziam que eu tinha problema de cabeça. Um dia eu fugi e fui para dentro de um terreiro de mina. Foi lá que me curei".

Outra entrevistada relatou o seguinte caso:

"Minha barriga começou a inchar e os médicos me mandaram fazer vários exames e não conseguiam saber o que eu tinha. O próprio médico acabou me recomendando procurar [um] “doutor do mato”. Eu relutei, mas fui, e lá chegando o caboclo no terreiro passou uns negócios na minha barriga e me receitou umas ervas. A barriga voltou ao normal e nunca mais tive nada".

E então leitores, qual é a opinião de vocês? O que vocês acham? É tudo mentira? Coincidência de cura? O que são estes fenômenos afinal? Precisamos ter fé para acontecer a cura?

Sempre me pergunto como estas coisas acontecem e tento responder estes questionamentos!

*SILVA, J. M. Religiões e saúde: a experiência da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde. Saúde e Sociedade [online]. vol.16, n.2, pp. 171-177, 2007.

Ricardo Durães

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Os sambas de Mussum

mussum

Qualquer brasileiro que tenha vivido, mesmo que rapidamente, a década de 1980, se lembra com muita vivacidade da figura do comediante Mussum. Conhecido por encarnar com maestria o personagem boêmio e falastrão da série “Os trapalhões”, Antônio Carlos Bernardes Gomes (esse era o nome verdadeiro dele), nasceu no Rio de Janeiro em 7 de abril de 1941 e, realmente, se tornou um ícone da irreverência brasileira. E digo isso não só porque ele era um talentosíssimo comediante. Mas, também e, talvez, principalmente porque ele representava muito bem toda uma geração carioca e brasileira ligada á figura do boêmio, da irreverencia e, claro, do samba.

Sim. O conhecido trapalhão era uma sambista de mão cheia na vida real. Foi líder durante muito tempo de um competente grupo de samba e, junto com estes amigos, compôs e cantou  ótimas músicas.

A geração que tem Mussum como o engraçado cachaceiro do quarteto Trapalhões talvez não conheça o lado cantor do humorista. Sambista de primeira, liderou o grupo Os Originais do Samba nos anos 60 e 70, e mais tarde partiu em carreira solo, que rendeu discos como este auto-intitulado álbum de 1980. Com direito a coro infantil e participação dos colegas de trupe na faixa de abertura “Descobrimento do Brasil”, é um disco de samba redondo, daqueles que animam qualquer churrasco espirituoso, com momentos divertidos como “A vizinha” e a piada de funeral “O saudoso”. Mas Mussum também tinha seus momentos ternos, como na bela “Um amor em cada coração”, de Vinícius de Moraes e Baden Powell, cantada em dueto com Márcia e a emocionante “Terra de Jô”, mistura de cantigas infantis cantada com o coral de crianças.

Fonte: G1

Na verdade, ao assistir os episódios dos trapalhões, creio que o público, no fundo, já soubesse da veia sambista do Mussum. Porém, poucos tiveram a oportunidade de apreciar as boas músicas cantadas pelo nosso inesquecível “cachaceris”.

Pensando nisso, o Incomode-se resolveu resgatar um pouco desse “outro lado” do saudoso humorista. Abaixo, nosso leitor vai poder acompanhar uma amostra da atuação musical que transformou o personagem Mussum num nome respeitado dentre os apreciadores de um bom samba. Vejam:

 
 
 

Mussum morreu no dia 29 de julho de 1994 vítima do alcoolismo que tanto cantou em suas músicas. No entanto, até hoje, é reconhecido com um dos maiores humoristas da história do nosso país…

Henrique Oliveira

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O ácido Cordel do BBB

Antonio cordelista É notável a capacidade que o povo tem de criar. Diferente do que muitos ingenuamente pensam, as classes “não poderosas” e “não ricas” do nosso país têm uma sagacidade e uma inventividade aflorada. Volta e meia nos deparamos com expressões populares de intenso senso crítico e de contestação.

Nos últimos dias, por exemplo, um professor e cordelista baiano chamado Antônio Barreto, de 54 anos, ficou conhecido por muita gente por fazer uma verdadeira crítica social em forma de cordel. No texto, o autor satiriza e tece uma inteligente crítica ao programa Big Brother Brasil e ao seu apresentador, Pedro Bial.
O cordel se chama “Big brother Brasil, um programa imbecil”, e vem causando muita polêmica. Uma vez que oprofessor, se meias palavras, “solta o verbo” e o talento contra o Reality Show da “toda poderosa” Rede Globo. Vejam, por exemplo, esse trecho:
Esse programa da Globo.  Vem nos mostrar sem engano. Que tudo que ali ocorre.  Parece um zoológico humano. Onde impera a esperteza, a malandragem, a baixeza: Um cenário sub-humano.

Mais do que uma mera crítica, o texto do professor Antônio é uma expressão de coragem. Muitos pensam da mesma forma que ele: muitos se indignam todos os dias com as expressões mediocres da mídia e da nossa dita "cultura de massas". Porém, poucos têm a força de gritar suas insatisfações. Preferimos, na maioria das vezes, apenas reclamar pra nós mesmos. Como se aquilo fosse um tipo de atenuação para a nossa falta de atividade real. O sicólogo Betinho sempre dizia que o que faltava em grande pearte da humanidade não era capacidade de análise, mas sim o ânimo para fazer alguma coisa a respeito das situações desconfortáveis. Talvez falte um pouco mais “Antônios” por aí; um pouco mais de gente comprometida com o futuro e com os rumos que estamos tomando. 

Em entrevista ao A TARDE On Line, Antônio Barreto disse que, apesar de "fútil", o programa é um sucesso porque a Rede Globo é uma emissora poderosa. "A emissora é influente, consegue controlar o público, que não preza pelo hábito da leitura, pelo bom gosto. São pessoas dominadas pela estética da beleza, pelo filme de violência. Então é facil para a Globo criar um programa desse e ter sucesso". […]O cordelista questiona ainda as cenas editadas pela emissora e que são exibidas na televisão, o que considera um mau exemplo para as crianças. "Um programa que não passa nada de instrutivo, sobretudo para crianças e adolescentes. Não há um refinamento maior para quem está começando a ver a vida agora". Fonte: A tarde on line
O exemplo da consciência crítica de Antônio e sua ação contra uma insatisfação social , deveria recoar em todos os outros setores da nossa vida social. O não conformismo com o que está e a não aceitação são peças fundamentais para que mudemos todo esse horizonte de degenerações que, por hora, enxergamos! Porque só reclamar do alto das nossas poltronas não funcionará…

Imagem: A tarde Online
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A andança de Pedro, o pagador de promessas

Por volta dos 60 anos, um senhor de nome Pedro Guedes da Costa, ou simplesmente “Seu Pedro” foi acometido por uma trombose no pé esquerdo. Depois de muitos remédios e já quase sem poder andar, o senhor recorre á única coisa que nunca lhe faltou (a fé) e faz uma promessa: “seu me curar dessa doença, carregarei uma cruz da minha casa até o Santuário do Divino Pai Eterno, em Goiás...”

Com muita esperança e fé, Seu Pedro diz ter esperado a “intervenção divina”. Milagrosamente a trombose foi cedendo e Seu Pedro melhorando cada vez mais. Os dias se sucederam e ele ficava melhor. Até que, um dia, se viu completamente curado e sem mais nenhum sintoma. Para seu Pedro, então, havia ocorrido o milagre: Deus havia lhe atendido aos pedidos. Agora era sua vez: a cruz seria carregada, numa longa e debilitante peregrinação.

Partindo de Caruaru, sua terra natal, e carregando uma cruz de 50 quilos que ele mesmo fez, Seu Pedro rumou, desde o dia 22 de dezembro de 2007, há quase um ano e seis meses, para o santuário católico localizado na cidade de Trindade, interior do Estado de Goiás. Desde então, por todos os cantos que passou, o andarilho atraiu a atenção curiosa de inúmeros populares. No seu trajeto, Seu Pedro faz questão de rezar e entoar cânticos religiosos junto ao povo das cidades aonde é acolhido. E boa recepção não falta: por todos os cantos que passa “o homem da cruz”, como é comumente chamado, é tratado com muita reverencia e respeito: como disse um senhor ao apertar com firmeza a mão do pagador de promessas: Seu Pedro merece muito respeito, é “um homem de muita fé”.

Conforme publicado numa reportagem do jornal “O povo” (texto este que seu Pedro faz questão de guardar e mostrar às pessoas), no começo da viagem, Seu Pedro tinha apenas R$ 200. “O dinheiro acabou em alguns dias. ‘Conto com a ajuda de todo mundo. Até os fora-da-lei já me ajudaram. Os policiais também e os evangélicos. Sou católico’, prossegue. ‘Certa vez, eu caí no meio da estrada, com fome. Deus colocou um rapaz no meu caminho, que me deu comida e um trocado’, lembra. Durante o percurso, seu Pedro ganha comida, água e trocados. Às vezes, um lugar para tomar banho. O romeiro, com a ajuda que recebe, também compra cartões telefônicos para falar com a família”.

Seu Pedro traz no rosto as marcas do povo do sertão: é um senhor de 62 anos separado e pai de dois filhos. Já trabalhou em tantas coisas que nem mesmo ele sabe relembrar ao certo. Teve uma doença grave e, pobre, pouco auxílio médico conseguiu. È um homem que, como muitos brasileiros, tem na fé uma das suas principais âncoras e alentos. Em nome dessa fé seu Pedro se sente forte para atravessar todo um sertão de privações. Sem dinheiro e com duas ou três peças de roupa, Seu Pedro continua sua caminhada dependendo da caridade dos desconhecidos. No entanto, em nenhum momento demonstra desânimo: “o importante é que eu pague a minha promessa”, diz.

No último domingo eu tive prazer de testemunhar uma pequena parte da penitencia de seu Pedro: ele esteve em Barra do Mendes, cidade onde nasci e que fica no sertão baiano, e lá cantou e rezou junto ao povo: Dona preta, uma senhora de 95 anos de idade, que faz absoluta questão de ela mesma “fazer a feira” para sua casa todas as semanas, se juntou á força da fé de seu Pedro e com impressionantes memória e firmeza de voz conduziu, de maneira emocionante, a reza por alguns minutos. Vejam:




A fé popular como se pôde perceber, vai muito mais além do que uma mera reprodução de cânticos e ladainhas. Para o povo, a crença religiosa traz muito mais do que apenas um tradição, ou costume. Traz o retrato do único alento que muitos abandonados nesse país ainda têm: a fé. É com fé que pessoas pobres como seu Pedro e Dona preta levam a vida. É ali que encontram muito das suas forças e das suas motivações.

Num país onde o povo sobrevive esquecido, a crença popular ajuda a carregar muito mais cruzes do que imaginamos. A vida do sertanejo é uma eterna penitência, uma infindável luta. E isso é que torna a cultura popular tão forte e bela.

Seu Pedro carrega nas costas a representação de muitos dos nossos estigmas sociais. Pobre, sem estudo, sem trabalho, o homem de 62 anos, depois da sua longa caminhada, procura um descanso. Para isso, antes de terminar o seu trajeto (que, segundo ele, deve ir até o final deste ano), pretende falar cara a cara com o presidente Lula: “vou pedir minha aposentadoria, porque acho que já mereço...”, conta.

Até lá, Seu Pedro vai se sustentando pela fé. Caminhando e dependendo da caridade de outros pobres como ele, ele segue representando as marcas de um povo sofrido, mas de muita força...
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