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Os "tranquilos mares" da fórmula 1

No início dos anos 2000 Michael Schumacher dominava a fórmula 1. Nessa época, era um “porre” assistir as corridas: os aficionados pela categoria até iam para frente da TV ou, mesmo, para os autódromos, mas, já sabiam o resultado antecipadamente: o alemão e a Ferrari venceriam mais uma vez...

Isso tornou a F1 maçante, chata. Ninguém mais aguentava ver, em todas as corridas, um jogo de cartas marcadas, no qual a poderosa Ferrari era imbatível, inalcançável. Simplesmente a fórmula 1 começou a perder sua emoção: ultrapassagens (como a antológica manobra de Piquet contra Senna) e as disputas acirradas entre dois ou mais pilotos na categoria simplesmente desapareceram. Os treinos classificatórios eram inócuos, pois sempre a Ferrari e, em algumas vezes, a McLaren, estariam nas primeiras posições...

Tudo levava a crer que, na F1, o que determinava a vitória ou a derrota eram as capacidades financeiras e técnicas da equipe e do carro. O piloto, o fator humano, até poderia contribuir, mas, era (ou parecia ser) coadjuvante. Vendo isso, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) começou a se atentar para o “foco” de todo aquele tédio que se abria sob os pés da principal e mais rica categoria automobilística do mundo. Uma coisa, então, se tornou certa: não dava para deixar como estava!

Em 2008 a F1, finalmente, promove uma série de mudanças (confira todas elas aqui) em suas regras. Aboliu-se, por exemplo, o controle de tração do carro. Isso deu maior importância à atuação e influência do piloto. Mudaram-se, também, as regras para o treino classificatório e para a corrida, o que fez com que a antes chata confirmação de superioridade da Ferrari e da McLaren, se tornasse em uma “soma de fatores” mais interessantes. Tentou-se minimizar, então, os “desníveis” que haviam entre um equipamento e outro dentro da categoria... No final das contas, na temporada de 2008, a Fórmula 1 se apresentou com uma nova roupagem, e isso foi muito bom.

Como resultado, depois de anos sem emoção quase nenhuma, a F1 viu um campeonato espetacular: até última corrida, Lewis Hamilton e Felipe Massa, lembrando, até, os tempos de Prost e Senna, duelaram de igual para igual. E no último GP do ano (o do Brasil), Hamilton, para a tristeza dos brasileiros, se sagrou campeão com apenas um ponto de diferença para Massa. Naquele momento, muitos pensaram: a emoção renasceu.

No entanto, o monopólio da Ferrari e da McLaren continuava. Mais uma vez a FIA resolve mudar as regras do jogo. Só que desta vez ela coloca o dedo bem no centro da ferida: mexe na estrutura dos carros. Com o pretexto de facilitar as “ultrapassagens” a FIA então monta um carro dotado de um modelo completamente alterado. Para reduzir a diferença de tempo entre os carros e tornar, teoricamente, a categoria mais competitiva, foram implementadas as seguintes alterações:

1) A asa traseira ficou mais estreita, com 75 mm em vez de 150 mm e maior com 1800 mm em vez de 1400 mm.. Tendo apenas uma asa pequena para diminuir seu atrito e influência na corrente de ar.

2) A asa dianteira foi aumentada e ganhou ângulo de ataque ajustável pelo piloto, que apertará um botão no volante para regular a variação da asa (em até 6º no total). Porém essa operação o poderá ser realizada no máximo 2 vezes por volta;

3) Todos os aparatos e penduricalhos que se viam no ano de 2008 (defletores, chaminés, bigornas, orelhas de dumbo, orelhas de coelho, chifres) foram banidos;

4) Os Pneus Slicks passaram a ser novamente utilizados, após 12 anos fora da F1. O motivo era uma tentativa de suprir a perda de pressão aerodinâmica com maior aderência à pista.

5) os carros ganharam a possibilidade de se equipar com o polêmico sistema KERS, que basicamente consiste em recuperação de energia cinética para dar maior potência ao veículo através de um propulsor. (fonte: Blog F1-V8 e Oficina de dicas).

Em suma, muitas alterações foram implementadas para que a Fórmula 1 não tivesse mais um aspecto monopolista e anticompetitivo. Com carros alterados, se esperava um campeonato mais acirrado, brigado. No entanto, o tiro foi no pé. Ao invés de dar mais competitividade e, consequentemente, atrair mais espectadores e investimentos, a FIA criou mais um “privilégio exclusivo” nas corridas da categoria. A Brown GP (antiga Honda), agora é quem domina o sucesso na F1. Seu piloto Jason Button venceu nada mais nada menos que 6 corridas em sete disputadas. Sendo que em todas chegou ao pódio. Hoje o piloto inglês tem uma vantagem para a segundo colocado (Rubens Barrichelo, também da Brown) de 26 pontos.

Em outras palavras, mais uma vez a categoria ganhou aquele velho ar “schumacheriano” de jogo marcado. E, hoje, Button já está com o campeonato quase nas mãos. A categoria se tornou chata novamente, e a Brown GP atualmente faz o papel de uma nova Ferrari ou McLaren. Tudo isso faz com que o campeonato perca espectadores e investimentos. Tanto é que o dono dos direitos comerciais da F1, afirmou, conforme publicado na Folha Online, que o domínio da equipe Brown e de Button é “prejudicial” à categoria. "Obviamente é muito bom para ele, mas não é bom para o espetáculo e para o campeonato. Você gosta de ver a superestrela fazendo bem o seu trabalho, mas espero que haja um pouco mais de desafio para ele. Talvez chegue logo. Com dois abandonos, as coisas mudam", disse o dirigente.

O problema é que nada está levando a crer que Button tenha alguma dificuldade para se sagrar campeão em 2009. A Brown GP parece cada vez mais afinada para levar o campeonato, e Rubinho, o segundo piloto, parece não ter forças para duelar com o líder. Eu não apostaria em reviravoltas. Não no mar tranquilo do jogo chamado Fórmula 1...
Foto: alordelo
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Até quando Rubinho?

Rubens Barrichelo foi prejudicado em mais umas das suas "milionésimas" corridas pela Fórmula 1. No último final de semana o piloto teve uma grande adversária: a própria Brawn GP (sua escuderia na F1). Não se pode afirmar ao certo porque o brasileiro, em todas as boas oportunidades que encontra na categoria (lembremos de sua passagem frustrante pela Ferrari e por Schumacher) , esbarra sempre com "pedras no caminho". Desta vez, a barreira é seu companheiro Jason Button e as estraégias, digamos, "desiguais" da equipe. No último CP da Espanha (ocorrido neste domingo) o piloto brasileiro saiu visivelmente chateado por, primeiro, não ter largado na primeira posição e, depois, por ter sido prejudicado por uma estratégia de corrida errônea.
Mas será que foi erro mesmo?

Tudo começou no treino classificatório: Rubinho (como é conhecido no Brasil), segundo suas próprias declarações, saiu para o treino inexplicavelmente com mais combustível que Button, o que o impediu de fazer a pole position. O brasileiro diz ter sido prejudicado porque houve uma modificação nos planos da equipe para favorecer o seu companheiro e ele, sequer , recebeu um mero um aviso ou idéia.

Porém, o brasileiro passou por cima do "esquecimento" da sua equipe nos treinos e partiu para a corrida em busca da vitória (mesmo tendo largado em terceiro contra a pole de Button). Rubinho realizou, então, uma ótima largda e pulou para primeiro já na início da corrida. Maravilha, até aí o piloto do Brasil era tido como o grande favorito, tinha a corrida nas mãos. E foi assim até que... Adivinhem... a Brown GP interferiu nas estratégias dos seus piltos e RETIROU a vitória de Barrichelo.

Mais uma vez, "inexplicavelmente", no meio da corrida, houve uma modificação na estratégia de Jason Button: ao invés de fazer três paradas para reabastecimento e troca de pneus, o então líder e "xodô" do campeonato realizou apenas duas. O que fez com que ele pudesse ganhar a posição de Rubinho nos boxes. Mas o que há de estranho nisso? O estranho é justamente se ter promovido uma mudança na estratégia de um piloto e se ter "esquecido" do outro que era líder da corrida. Rubinho foi mais uma vez prejudicado pelo "tapetão" das equipes, que costuma favorecer àqueles que ela "adota" como favoritos. Como exemplo da atuação desse "tapetão" temos o ainda não esquecido GP da Áustria, em 2002, em que o mesmo Barrichelo recebeu ordem da Ferrari para deixar o alemão Shumacher ultrapassá-lo na última volta.

Otem na Espanha, porém, o brasileiro explicitou sua decepção: "Queria ter sido avisado assim que o Button mudou, não quando saí dos boxes, porque não tive escolha[...]. Se me avisassem, teria uma volta para decidir se mudaria [a estratégia] ou não. Em todas as reuniões só se falou que três [paradas] seria melhor e nem passou pela minha cabeça parar duas vezes. Foi surpresa quando me disseram."

Pelo menos desta vez ele pode "bater de frente" com a equipe e seu companheiro. Porque na época da Ferrari nem isso era possível fazer. Afinal, o brasileiro estava correndo ao lado do "deus" Schumacher da fórmula 1. "O Schumacher fez parte da minha história, mas não é meu amigo. Eu passei muitos anos dizendo que era, mas só para fazer média". Disse Rubinho num programa de TV do Brasil.

Esperamos que a Brown GP adote outra postura e que Rubinho possa, finalmente, sem estrtegemas contrários, ter seu "lugar ao sol" na Fórmula 1. Esperemos!
Foto: Camilo SB.
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Senna!

15 anos sem o gênio da Fórmula 1. Eis a nossa homenagem e lembrança:
Nesse vídeo Senna realiza 4 ultrapassagens na primeira volta, e com chuva! Simplesmente extraordinário:




Ayrton Senna morreu em 1º de maio de 1994, no GP de San Marino em Imola na Itália, quando bateu a mais de 300 km/h no muro de proteção da curva Tamburello. Depois da morte do herói brasileiro a Fórmula 1 iniciou uma "corrida" em busca de melhorias para a segurança dos pilotos. Senna se tornava, então, um ícone de uma virada na segurança da principal categoria automobilística do mundo. A F1 se tornava mais segura e o mundo mais lento sem Ayrton...
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Confira agora alguns números da carreira vencedora de Senna:
-Títulos da Fórmula 1: três, em 1988, 1990, 1991, todos com a McLaren-Honda
-Vitórias: 41 (25,5%)
-Pole positions: 65 (40,4%)
-Pontos acumulados: 614 pontos para o campeonato mundial
-GP disputados: 161
-GP em que participou: 163
-GP finalizados: 105 (65,2%)
-Número de desistências: 56 (34,8%)
-Média de pontos por corrida: 3,81
-Pódios: 80 (49,7%)
-Número de vezes na liderança: 109
-Número de grandes prêmios na liderança: 86
-Voltas na liderança: 2987
-Km na liderança: 13 676
-Total de quilômetros percorridos: 37 934
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