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Soltem foguetes e rojões: eleições à vista.

urna

Escrever sobre eleições é sempre desafiador, pois, em um país com altos índices de corrupção na estrutura administrativa (e no legislativo, sobretudo), pode provocar um mal estar devido ao descrédito com a política. Todavia, é um tema que não pode ser deixado de lado, mesmo porque, mexe com todos nós. É uma coisa que está para além de sentimentos ou tendências pessoais, ultrapassa nossas concepções valorativas, estando diretamente ligado com a organização do conjunto do país. Vamos aqui tecer breves comentários sobre a largada inicial das eleições presidenciais de 2010 – por ora, sem grandes pretensões. É certo, que vivemos um momento importante no sistema político brasileiro, a saber, a própria consolidação da denominada democracia representativa, temos um governo eleito pelo voto direto. Isso é relevante, apesar de ainda ser carregado de problemas. Ao menos, tem-se uma base para impedir retornos a governos autoritários, ditatoriais. Nossa intenção aqui é falar de alguns candidatos ao posto máximo de administração do país. Para tanto, vamos nos ater a dois, os mais cotados, o do PT e do PSDB.

Nosso foco é apenas nas aparências desses candidatos, quer dizer, em suas imagens públicas, não seus traços físicos, mas nas repercussões públicas de seus nomes, suas candidaturas. Também não entraremos em seus detalhes de programa, de governo, suas propostas etc., mesmo porque, tais coisas ainda serão trabalhadas publicamente, apesar de considerar essa questão uma das mais relevantes para serem debatidas em um processo eleitoral.

Dentre as imagens que escuto pelas ruas ou até circulando por correios eletrônicos, tem uma que me chamou bastante atenção e será esta que iremos tratar aqui. Refiro-me a imagem dita de “ex-guerrilheira”, “ex-terrorista” e outras congêneres, em que a candidata do PT aparece como uma pessoa que foi avessa à ordem, às leis, que atentou contra a vida de outras pessoas, participando de seqüestros, ainda que para uma “suposta” causa. Ou seja, tal imagem revela suas intencionalidades subjacentes. Procura-se vincular a imagem pública da candidata a situações de atentados contra o próprio país, logo, coloca-se uma pergunta junto dessa imagem: que tipo de presidente ela poderá ser, já que teve um passado daquele? Já a imagem do outro candidato, é bem singela. Evidencia uma pessoa “boazinha”, “certinha”, seguidora das leis e regras constitucionais, como a própria representação do bom cidadão que sempre esteve de acordo com a normalidade e civilidade, mas que também soube fazer lutas “juvenis”, dentro de uma instituição “legítima”, a UNE. Aliás, por sinal, esta instituição de tão legítima, terminou se tornando extremamente fiel ao sistema desigual circundante, e, hoje se torna um braço de apoio ao governo central. Acho que pouco representa das reais lutas sociais do presente.

Não quis tomar partido no texto, mas essa imagem usada para representar a candidata do PT é muito preocupante, pois também revela, de certa forma, opiniões de extremo conservadorismo e de uma afronta à própria ideia de liberdade política e de opinião, que tanto se valoriza no nosso capitalismo ocidentalizado e em nosso país, em específico. Podemos indagar: qual o real interesse dessa imagem? Vale ficar atento para esses aspectos internos das imagens que são postas, que podem revelar verdadeiras representações de determinados setores sociais do país, determinados grupos, os quais terminam se valendo de tais imagens e se fortalecendo numa perigosa rotulação de pessoas e grupos, colocando-os como inimigos ou perigos em potencial para o país, além de capsular a integridade das pessoas a quem se quer atingir. Na verdade, mais parece a exacerbação de um conjunto de pré-conceitos e valores retrógados, que visa apenas assustar e desinformar. Mas, de toda forma, foi dada a largada, soem os trovões, tem eleição no horizonte.

Bruno Durães

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Começou…

serra-e-dilma

Confesso que tenho relutado com certa veemência em adentrar na discussão sobre a sucessão presidencial. Sim, embora tenha feito, aqui mesmo nesse espaço, diversas criticas ao governo, até então elas se restringiram muito mais às posturas e declarações do presidente Lula. Podem argumentar que a Dilma faz parte do governo e por isso a minha justificativa é descabida, mas convenhamos, ser ministro é uma coisa, ser candidato à presidência da República é outra coisa.

Não nutro grandes simpatias por José Serra. Quanto à Dilma, até muito pouco tempo, era completamente indiferente. Por isso, ainda não assumi declaradamente uma posição ou uma oposição. No entanto, a guerra, ao menos na grande mídia, já começou.

A revista VEJA dessa semana, com toda a “imparcialidade” que lhe é peculiar, estampa na sua capa um sorridente José Serra, sobre o emblemático título “Serra e o pós-Lula”, citando logo abaixo uma frase do presidenciável: “Eu me preparei a vida inteira para ser presidente”. Honestamente, não vejo nada de mais nisso. A VEJA é uma revista “imparcial”, nada tendenciosa. Perdoem-me a minha miopia.

Segundo noticia da Folha online de 19/04, o jornalista responsável pela coordenação da campanha de Dilma Rousseff na internet, Marcelo Branco, conseguiu enxergar propaganda subliminar pró-Serra no vídeo comemorativo dos 45 anos da TV Globo, que começou a veicular na noite de domingo. No outro dia a emissora resolveu tirar o vídeo do ar. Em nota a emissora esclareceu: “qualquer profissional de comunicação sabe que uma campanha como esta demanda tempo para ser elaborada. Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme."

É inegável que os meios de comunicação de massa exercem um poder enorme, e muitas vezes até decidem uma eleição. É inegável também que assim como as demais empresas e instituições, eles norteiam os seus apoios, ainda que disfarçando-os, de acordo com os seus interesses políticos, econômicos, financeiros, etc., e isso não é nenhum crime, nenhum pecado. No entanto, a aura de imparcialidade e objetividade que tentam transmitir, é o que incomoda.

Lembro-me que na última eleição presidencial a revista Carta Capital, em editorial, declarou abertamente o seu apoio à reeleição de Lula, o que, obviamente, foi motivo de inúmeras discussões nas academias, nas ruas e na própria imprensa. Questionava-se naquele momento a conduta de um meio de comunicação que, na sua gênese, segundo as teses contrarias à postura da revista, deveria manter-se imparcial. Na minha modesta opinião, bobagem, balela...

Acho que a Globo não deveria ter tirado o seu vídeo do ar. Assim como acho que, mesmo sendo um critico ferrenho da revista VEJA, ela também não deve tirar os exemplares da revista de circulação. Acredito que os jornais, assim como qualquer instituição, também têm direito à opinião, no entanto, que as assumam, assim como fez Carta Capital. O que não dá é pra continuar com essa hipocrisia de dizer que são imparciais, que não tem preferências. Que assumam abertamente suas posturas, pois só assim poderão auxiliar democraticamente o público nas suas escolhas.

J. Dannieslei

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Favorecimentos de Geddel

Geddel e Joao henrique

Recentemente, o site Contas abertas, por meio do seu Twitter, divulgou uma  informação que muita gente já sabia e fingia não ver. Segundo o site, o ex-ministro Geddel Vieira Lima usou grande parte da verba destinada ao ministério da Integração Nacional para financiar obras em prefeituras da Bahia e, mais especificamente, do PMDB.

De acordo com a denúncia, Geddel teve à disposição da sua pasta ministerial um montante de R$ 555,3 milhões. Esse valor, efetivamente, foi distribuído para 756 órgãos públicos municipais de todo o país no ano passado. Porém, dessa quantia, quase 50%, R$ 255 milhões, foram distribuídos entre municípios baianos. E o pior é que as prefeituras da Bahia comandadas pelo PMDB (que, para quem não sabe, é “coincidentemente”, o partido de Geddel) ficaram com 87,8% do valor.

Devemos lembrar também que Geddel deixou a pasta da Integração nacional para concorrer ao governo da Bahia nas eleições deste ano. Ou seja, que ele será bastante beneficiado eleitoralmente pelas verbas destinadas em massa ao Estado baiano.

Em relação ao número de cidades beneficiadas com recursos da Integração, no ano passado, o PMDB novamente aparece com a maior fatia. Foram 63 prefeituras peemedebistas contempladas, o que representa 46% de todos os 137 órgãos públicos municipais baianos que receberam verbas do ministério. Das prefeituras geridas pelo PT, 16 conseguiram verbas, com o percentual de 12% em relação ao número total de prefeituras patrocinadas. O PR, com 15 municípios beneficiados, contabilizou 11% do total. O PP contabilizou oito prefeituras e um percentual de 6%. O PSDB teve sete prefeituras contempladas, equivalentes a 5%. Entre os 24 municípios baianos que ganharam mais de R$ 1 milhão, 17 são do PMDB. Salvador, por exemplo, do prefeito João Henrique (PMDB), recebeu R$ 113,1 milhões do companheiro de militância Geddel. A cidade de Coronel João Sá, também de administração peemedebista, ganhou R$ 70,1 milhões.

Fonte: Contas abertas

Fica claro, então, que houve favorecimento na distribuição das verbas do ministério da Integração nacional. E tudo isso cheira à velha prática brasileira que usa obras públicas como endosso para campanhas eleitorais. Não é à toa que o ex-ministro Geddel destinou muito mais verbas às prefeituras aliadas ao seu partido. Todos sabemos que é exatamente com o discurso do “foi eu quem fiz” que ele conseguirá muitos votos dentre os baianos.

No entanto, é inadmissível que verbas públicas sejam usadas com outro fim que não o do próprio benefício público. Nada justifica qualquer favorecimento, seja para qual cidade for. Afinal, os critérios políticos da nossa administração deveriam, acima de tudo, ser justos…

Henrique Oliveira

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Lista suja

Lista suja

Finalmente  uma ferramenta de grande utilidade  para o eleitor brasileiro vai sair do papel: nas próximas  eleições,  os cidadãos já vão  poder acessar a ficha criminal dos postulantes aos cargos eletivos. Segundo informação divulgado pela Folha Online, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovou ontem a noite uma resolução que obriga os candidatos a apresentarem, no ato  do  registro da candidatura, uma certidão criminal, detalhando suas “dívidas” com a justiça:

A certidão criminal será digitalizada pela Justiça Eleitoral para que o eleitor possa consultar a situação de criminal de cada candidato na página do TSE na internet. […] Se o partido não apresentar a documentação sobre o andamento específico de cada processo de seu candidato, na hipótese de certidão criminal positiva, a Justiça Eleitoral dará prazo de 72 horas para que ele supra essa omissão. Caso não o faça, o candidato poderá ter o registro de candidatura negado por ausência de documentos exigidos no momento do pedido de registro. […] Os ministros chegaram a discutir a possibilidade de a exigência de apresentação de certidões criminais ser estendida a processos de improbidade administrativa, mas entenderam que isso não seria possível, uma vez que a Lei de Improbidade Administrativa é anterior à Lei das Eleições.

Fonte: Folha Online

Em outras palavras, o eleitor vai poder, com o auxílio desta ferramenta, checar se  o seu  candidato está respondendo a processo criminal e, assim, poderá reavaliar seu voto. Afinal, não pode haver incoerência maior do que um candidato a governante do Estado (cargo que requer máxima retidão moral) estar respondendo qualquer acusação criminal. Esse novo cadastro  proporcionado pelo TSE será mais um  recurso para que nós,  eleitores, separemos de  vez o “jóio do  trigo”. Uma vez que, além das certidões criminais oriundas das Justiças Federal e Estadual ou do DF, deverão constar outras informações valiosas que, até então, eram guardadas a sete chaves dos olhos da opinião pública: a declaração de bens do candidato, comprovante de escolaridade, prova de desincompatibilização, quando necessário, e fotografia recente do candidato…

Então, caros leitores, usemos  mais essa facilidade a nosso favor. Para que, enfim, acabemos com a badalheira generalizada  que estamos vendo por aí… 

Henrique Oliveira

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Uma democracia ameaçada

Brasil vomitando corrupção
A democracia brasileira, a duras penas conseguida, mal chegou à maioridade e já se encontra seriamente ameaçada. E a ameaça não parte das forças armadas, de grupos paramilitares ou de um chefe de governo autoritário. Se assim o fosse, nos restaria ao menos a esperança de que a ONU pudesse intervir. Ou que os demais países nos impusessem embargos econômicos e políticos, o que, quiçá, poderia reverter a situação. Mas não. A ameaça parte da desonestidade, do desrespeito, da falta de vergonha na cara da nossa classe política, manifestadas nos sucessivos escândalos de corrupção, que independente da coloração partidária, vem assolando as nossas esferas de poder.

A possibilidade de intervenção federal no Distrito Federal é um caso sintomático. Finalmente parece que o fundo do poço, com todo o lamaçal que lhe é peculiar, está próximo. No entanto, embora o caso da moda seja o do DF, não podemos ignorar, como parece estarmos fazendo, tudo que o antecede. Parece já ter fugido da nossa memória que meses atrás, a crise era no Senado. Para os que não se lembram, refiro-me às inúmeras diretorias, a negociata de cargos públicos por parentes de senadores, sem se falar na farra das passagens aéreas no Congresso Nacional, etc. E eu me pergunto de cá, no que tudo isso deu? Mas estou defasado, o escândalo da moda agora é o mensalão do DEM de Brasília, porque então ficaremos nos preocupando com águas passadas? Mas, esperem aí... Mensalão? Isso me faz lembrar alguma coisa... Sim, lembrei, e quanto ao mensalão do PT, já que este também teve o seu, no que deu? São tantos escândalos pra tão poucas respostas!
 
Crise política no DF demonstra o quão ameaçada está a nossa democracia
 
Aqui em São Paulo, semana passada, o prefeito Gilberto Kassab, do Democratas, foi cassado, em primeira instância, junto com seu vice. Conseguiu uma liminar na justiça e continua no cargo enquanto aguarda julgamento. O presidente da Câmara de Vereadores, que assumiria o cargo em caso de vacância, também tem seu mandato ameaçado, junto com mais nove vereadores. E agora? Caso se confirmem sentenças desfavoráveis, tanto o poder executivo, quanto o legislativo da maior cidade brasileira estarão impedidos de assumir o governo local, o que configuraria mais um caso de intervenção, dessa vez estadual.
 
Estou citando como exemplos a capital Federal e a mais importante cidade brasileira, já que, por isso mesmo, merecem destacados holofotes, mas, e os demais municípios brasileiros? Presumo que não sejam modelos de probidade, seriedade e respeito aos princípios republicanos.

Esses casos, pela notoriedade que adquirem, chegam à Justiça, mas essa, também, pouco tem feito. Na maioria das vezes, embora a celeridade nos processos seja principio constitucional, eles se arrastam anos; outras tantas os réus são absolvidos, quase sempre por “falta de provas”. Basta ver que recentemente o STF absolveu o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Mas também, tanto faz a justiça absolver ou não, o povo sempre trata de fazê-lo, os elegendo para novos mandatos.

Por falar em povo, embora seja ainda muito pouco, é louvável o projeto de lei de iniciativa popular que visa impedir novas candidaturas dos chamados “candidatos fichas sujas”. Mas, no entanto, para que esse projeto efetivamente possa virar lei, depende do Congresso Nacional. Perdoem-me o meu pessimismo, mas acho que não vai dar em nada.

É por essas e outras tantas, que vejo a nossa democracia agonizante, em fase terminal. Afinal, não se coaduna com o conceito de Estado Democrático, ainda mais de Direito, as tramóias, as maracutaias, o desrespeito às leis e tudo o mais que os nossos políticos vêm fazendo para se perpetuar no poder. Não se coaduna com democracia o vergonhoso uso da máquina pública feito atualmente, mas não exclusivamente, pelo Presidente da República para eleger sua candidata. Ignore quem quiser ignorar, mas a campanha de Dilma Roussef já começou há muito tempo, embora a lei só permita que ela comece daqui a alguns meses. E mais preocupante do que isso é que a quem caberia frear os desmandos eleitoreiros, nesse caso o TSE, vem arquivando sucessivamente todas as denúncias que recebe. Ou a justiça é mesmo cega, ou...

Portanto, os três poderes da República Federativa do Brasil, têm dado provas de que não são capazes ou não querem garantir um mínimo de seriedade em nossa democracia. Nesse caso, caberia ao titular do poder, o povo, esse sim, a última esperança, assumir as rédeas e ditar o tom da política brasileira. Mas o povo... O povo, na sua maioria está por aí, esperando o bolsa família chegar todo final de mês, e se contentando em brincar de democracia a cada quatro anos.

J. Dannieslei
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A política “certa”

Luiz-Inacio-Lula-da-Silva

Com as proximidades das eleições , muitos comentários e notícias acerca do pleito a ser realizado no próximo dia 3 de outubro começaram a se avolumar. Daqui para frente, todo mundo que se julgar como sendo possibilitado de falar, não tenham dúvidas, vai querer falar – e eu, claro, não ficaria de fora destes debates… ;). 

E isso é bom. Porque, desde que as opiniões não sejam caluniosas e/ou falsas, essa discussão só tende a incrementar o nosso processo democrático de votação. Fortalecendo o que nunca pode faltar numa nação livre: a diversidade de pensamentos e de crenças.

Então vamos começar a falar de Eleições aqui no Incomode-se.

Nesta sexta, 19, Gregor Gysi, O líder da coalizão parlamentar alemã "A Esquerda" deu uma declaração bem interessante na cidade San Salvador (El Salvador) durante um dos compromissos da sua viagem de três semanas pela América Latina – na qual pretende visitar, além de El Salvador, o Brasil, Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela. Segundo o político:

"Lula é um homem sábio, e não comete um erro que muitos outros cometem. Ele sabe que sua Constituição só prevê uma reeleição, coisa que (o líder da Nicarágua, Daniel) Ortega, não o quer aceitar, (o presidente da Colômbia, Álvaro) Uribe, também não."

Fonte: Uol notícias 

Para Gysi, Lula faz uma política mais “acertada” que a de seus colegas latinoamericamos quando opta por não subverter a Constituição nacional no intuito de virar o jogo político ao seu favor e permanecer indeterminadamente na presidência da República (coisa que parece estar voltando à moda nos países latinos). Pela ótica do líder alemão, nenhum presidente deveria, apoiando-se em sua popularidade, tentar se reeleger a todo custo, mas sim formar um sucessor político.

E é exatamente isso que o Lula e sua equipe estão fazendo: ao construir uma campanha em torno da Imagem de Dilma, do Bolsa família e do PAC o presidente está formando um grupo político que garantirá uma continuidade concreta da sua política: promverá a permanência não da sua pessoa diretamente, mas sim da sua influência no Planalto. Em muitos compromissos oficiais, que já podem ser considerados como uma verdadeira “campanha antecipada”, a ministra Dilma, por exemplo, vem demonstrando claramente sua total “veneração” pela  autoridade do presidente Lula. A todo instante a ministra toca no nome do presidente e exalta o seu governo e sua forma de atuar. Literalmente ela se apioa na sua mais forte “muleta” eleitoral: a popularidade do “filho do Brasil”. Isso porque também não seria prudente se distanciar do pilar fundamental da “popularidade eleitoreira” petista logo á beira de uma campanha… Seria, na verdade, um suicídio. 

Em outras palavras, as muitas colocações de Dilma e de outros governistas envolvidos na sucessão, demonstram que Lula, como disse Gregor Gysi, acerta sim na política que emprega. E acerta porque o seu objetivo é manter o PT no controle da situação e, por tabela, manter também o seu maior líder sempre por perto… Afinal, 2014 não tardará a chegar…

Resta saber se tudo isso é justo.

Henrique Oliveira

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O MST político

Sem terra

Quando se fala em Movimentos sociais, muitos idealistas (coisa cada vez mais rara nos tempos de hoje) saltam em defesa da liberdade de atuação dessa forma de atuação política que é, não esqueçamos, socialmente LEGÌTIMA! Numa sociedade que se pretende mais igualitária e desenvolvida, é de cabal importância que os grupamentos humanos excluídos pela “verve” do sistema capitalista, se organizem e lutem, empunhando suas armas, contra o estabelecido, contra o que é tomado como dado!

Obviamente que, pela sua própria natureza,  muitas serão as frentes de atuação desses movimentos. E todas são justificáveis, desde que se resguardem os limites da ética e coerência política dentro dos quadros de ação. O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), por exemplo, tem a legitmidade de um autêntico movimento social. Pois (e isso eu falo por conhecer de perto a realidade dos sem terra), como não poderia deixar de ser, trata-se de movimento sustentado em suas ações mais numerosas por uma maioria de agricultores entregues à exclusão social e à extrema pobreza.

A diferença do MST para tantos outros movimentos sociais que existem no país, é justamente o seu porte. O movimento Sem Terra é uma organização gigantesca que, em muitos dos seus setores, está envovida em altas esferas de atuação política. Com a vitória do PT, histórico aliado dos Sem terra, o MST ficou ainda mais complexo e muito mais imerso nas esferas políticas do país.

Não dá mais para imaginar que o MST seja uma mero aglomerado de trabalhadores pobres e semi-analfabetos. Ele é muito mais que isso. É um movimento social que está intimamente ligado ao partido que comanda a nação atualmente. É uma organização complexa que têm em seus quadros desde os pequenos e pobres agricultores até letrados e intelectuais remanescentes da esquerda resistente da década de 1970.

O MST não age mais com ingenuidade. E isso é fato! tanto é que o jornal Estadão publicou hoje uma matéria afirmando que o movimento não irá realizar grandes ocupações nas vésperas das eleições. Segundo o texto:

O Movimento dos Sem-Terra deve concentrar sua agenda de ocupações no primeiro semestre de 2010, diminuindo as atividades com a aproximação do calendário eleitoral. A estratégia, admite um coordenador do movimento, tem por objetivo não municiar a oposição com argumentos que possam prejudicar partidos ligados ao movimento. […] O integrante da coordenação nacional do MST João Paulo Rodrigues avisa que, para a organização, o primeiro semestre será intenso, com muitas mobilizações e ocupações de terra. "Por ser um ano de eleições, tudo o que a gente faria no ano inteiro vai ter de fazer nos primeiros cinco ou seis meses", informa. Fonte: Estadão

Em outras palavras, aqueles que suspeitavam que o MST, há muito tempo, estava envolvido no jogo partidário da eleições, tinham razão. Eles estão! Porém, isse não é motivo para os latifundiários e seus cooptados meios de mídia descaracterizem o movimento! Afinal, para crescer nem o MST, nem nenhum outro movimento social poderia escapar desse jogo…

Henrique Oliveira

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“Uma lei implacável”

lei cega 
Estava eu pensando sobre o que iria escrever hoje para Incomode-se quando, por sorte, me deparei com esse ótimo texto do poeta baiano Celismando Sodré. Vejam (vale a pena!):
A primeira vez que ovi esta expressão foi num jogo de baralho, onde estavam jogando meus colegas e amigos: Simão de Deta e Roque Primo (Roque de Clélia). Eles disputavam um jogo de buraco e quando a partida parecia irreversível para um dos parceiros; quando a vitória já estava a caminho, aquele que estava preste a vencer falava bem alto para “encher o saco” do perdedor:

Homem é homem
Menino é menino
Fumo é fumo
E vara é vara!
Eu só sei que a gozação pegou. E todos nós, que gostávamos de jogar baralho, passamos a utilizar a expressão para irritar o adversário.

Acontece que a pirraça se estendeu para outros campos de disputa, inclusive para a própria vida. Se nosso time de futebol perdia, se um dos colegas que faziam parte da brincadeira levasse uma “topada”, se fizesse uma besteira, e, até, diante de situações trágicas como a própria morte, nas quais sentíamos a nossa impotência diante do que não pode ser mudado, falávamos: “Não tem jeito. Fumo é fumo e vara é vara”.

Passou a ser uma regra lógica e incontestável. Quem pode mudar o que já aconteceu? Ninguém. O que podemos fazer é tentar refletir sobre os erros que já foram cometidos para não cometermos mais.

Nas últimas eleições, no final de um discurso feito por mim, num tom de brincadeira e diante de uma situação onde a maioria dos eleitores já tinham decidido em quem votar, resolvi encerrar com a tal frase: “Não tem jeito. Fumo é fumo e vara é vara”. O que tiver de ser será. Verdade esta que tanto poderia servir para um lado político quanto para outro.

Os candidatos nos quais eu votei não se elegeram. Muitos colegas (e até desconhecidos) faziam brincadeira comigo pronunciando a tal frase. A grande maioria entendeu a brincadeira, mas algumas pessoas pensaram que eu tinha dito uma indecência. Até na política este provérbio pode ser utilizado. Quando o eleitor vende seu voto como mercadoria, não usa critérios decentes para escolher alguém para votar, só pensa no benefício individual, desprezando o coletivo; quando vem as consequências como: salários atrasados, hospitais sem médicos, cidade sem desenvolvimento, roubo do dinheiro público… Não tem jeito: “fumo é fumo e vara é vara”! A máxima vale, também, para esses eleitores irresponsáveis que fazem de uma eleição um jogo de brincadeira.

Gostaria de afirmar que tal frase significa apenas que somos responsáveis por nossos atos. Segundo o filósofo Sartre: “somos condenados e ser livres”. Com a nossa liberdade, fizemos muito mal à natureza e agora estamos pagando o preço. É a lei da ação e da reação. Em certos momentos da vida, os seres humanos se tornam impotentes diante da realidade. veja a morte, por exemplo!

Como disse o grande filósofo Adão G, diante de um enterro com milhares de pessoas: “Tá vendo aquela multidão que acompanha o caixão do defunto? Não tem jeito. Não escapa um.”. Eu completo a frase de Adão, com a consciência de que Deus sabe o que faz, acrescentando essa outra expressão: Fumo é fumo e vara é vara!

Celismando Sodré

Então, caros leitores, o que precismos é endossar o nosso senso crítico e nossa vontade de mudar a realidade que nos cerca. Só assim evitaremos as consequências inevitáveis dessa verdadeira “lei implacável”…
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Maquina federal de votos


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A política brasileira ás vazes parece uma grande piada de mau gosto. Inumeras vezes, os nossos “tarimbados” representantes usam artimanhas nem um pouco discretas para levar "um pouco" de vantagem sobre os seus “concorrentes”. É como se as “raposas” pensassem: “Ora, se eu tenho a máquina por que não usá-la ao meu favor?”

Esse seria um raciocínio até justificável se o que estivesse em jogo não fosse o comando e rumos dos nossos Estados, municípios e, claro, do país. Não dá para admitir que os comandantes dos nossos governos possam não ter uma conduta ética frente aos seus trabalhos. Cabe ao povo, então, identificar quando uma aparição, uma obra ou um “fato’ é uma mera jogada de marketing ou truque eleitoreiro.

Por exemplo, de acordo com matéria publicada no Estadão,


“para fortalecer a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o Planalto quer levá-la para os palanques de inauguração e lançamento de obras pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Lei Eleitoral não impede a inauguração de obras no período eleitoral, o que permitirá a Lula "abraçar a campanha da ministra Dilma", segundo revelou um ministro”.

Com esse artifício, é óbvio que o jogo eleitoral penderá para Dilma. Isso é um desequilíbrio que pode afetar de maneira irreversível a  liberdade de escolha de um povo que, desinformado, se deixa levar demais pelas falácias da mídia. Afinal, apenas a candidata petista terá a “regalia” de ver seu nome vinculado a obras federais. Em outras palavras, o planalto irá utilizar os resustados de um serviço público para garantir sucesso eleitoral à sua candidata…

Ora, caros leitores, o que é isso, se não o velho “uso da máquina pública”?

Crédito da imagem: www.abril.com.br
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Marina, um horizonte?

Muitos anos e muitas cartas marcadas depois, o jogo político brasileiro parece ter ganhado mais uma participante de peso. A senadora acreana Marina Silva, ex-ministra do meio ambiente e, atualmente, sem partido, começa a acenar para uma possível candidatura à presidência da república em 2010. Nas tribunas do congresso, a Senadora já começa a discursar como pretendente real a uma candidatura: usando um tom combativo e, ao mesmo tempo, agregador Marina começa a costurar uma frente de atuação eleitoral que já agrada a muitos brasileiros. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas, a senadora aparece com 24% das intenções de voto e começa a ameaçar a política bipolar (PT/PSDB) brasileira, mostrando que, como a própria Marina afirmou, “O voto não é de Lula, Dilma ou Serra. È do eleitor.”.

Com certeza a candidatura da senadora vem para enriquecer o cenário eleitoral e político no país. Ex-seringueira, conhecida por sua forte atuação em prol da defesa das questões ambientais e por ser uma senadora que, dentre a podridão, ainda mantêm uma imagem de seriedade, Marina entra aproveitando e potencializando um nicho eleitoral aberto pela senadora Heloísa Helena e pelo próprio PT. Além de cativar as mulheres (por motivos óbvios), Marina ainda tem a imagem que fez (e faz) de Lula um fenômeno de popularidade no país: é de origem pobre e trabalhadora:

“Foi na Zona Rural do Acre, num seringal chamado Bagaço, a 70 quilômetros de Rio Branco, que a senadora nasceu e morou até a adolescência. Filha de nordestinos retirantes, enfrentou as agruras da vida desde muito cedo. Sua rotina diária era árdua. Acordava às quatro horas da manhã, aprontava farofa com café para os irmãos no fogão a lenha. E percorria sete quilômetros até o seringal. O mesmo percurso fazia de volta ao anoitecer. Dos 11 irmãos, dois morreram de Sarampo e um de tétano. Ainda criança, aos 6 anos, teve seu sangue contaminado por mercúrio e foi desenganada pelos médicos por quatro vezes. Adolescente, ainda contraiu hepatite, e foi tratada com medicamento para malária. Aos 13 anos, sentiu uma grande vontade de ser freira. Confessou o desejo ao pai, que foi taxativo: ‘freira não pode ser analfabeta’. [...] Foi movida por essa vontade que, aos 16 anos, Marina ganhou as ruas. Mudou-se para a capital do Estado, alfabetizou-se pelo antigo Mobral e conseguiu seu primeiro emprego como empregada doméstica. Após fazer o supletivo, em 1984, formou-se em história pela Universidade Federal do Acre. Em 2003, com a chegada de Lula ao poder, Marina assumiu o Ministério do Meio Ambiente, onde permaneceu até maio de 2008, quando pediu demissão no rastro de uma série de quedas de braço com Dilma Rouseff [...]” Fonte: Revista Istoé.

Em outras palavras, a possível candidatura da Senadora, vem para movimentar a corrida eleitoral no país. PT e PSDB, que se achavam hegemônicos até então, tomaram um susto com a popularidade da ex-ministra, e já preparam seus arsenais de “contra-ataques fake” para derrubar a provável ameaça. Nos últimos dias, Marina Silva, deixou o PT para seguir com seu plano de filiação ao PV (partido pelo qual, provavelmente, concorrerá à presidência), no mesmo momento, o alto escalão petista se reuniu para definir a melhor estratégia de defesa da candidatura de Dilma.

Já o PSDB, está um pouco mais sossegado. Apostando que Marina irá prejudicar muito mais à candidatura petista, os tucanos parecem ainda não sentir a “ameaça acreana”. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, disse ontem à imprensa que a provável candidatura da senadora à Presidência da República representa “um avanço” no cenário político nacional. Porque, segundo ele, permite que haja um debate mais aprofundado sobre questões ambientais. “Não acho que seja fácil para ela ter resultados eleitorais, mas ela vai permitir que todos os candidatos discutam com mais seriedade o aquecimento global, o desenvolvimento sustentável”, disse o ex-presidente. Ao ser perguntado se essa candidatura ajudaria o PSDB, ele respondeu: “Não sei. Tomara” (Fonte/citações: Estadão).

O fato, porém, é que a virtual candidatura de Marina Silva á presidencia da república vêm mexendo com as esperanças de muitos brasileiros. Será que ela mudará o caos político em que nos encontramos? Será que ela defenderá, de fato, a Amazônia? Será que ela punirá os corruptos? Como diria FHC, “não sei, tomara”....


Foto: http://www.onortao.com.br/
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Protógenes candidato

Depois de muitas confusões e polêmicas, o delegado da Polícia Federal (PF), Protógenes Queirós, finalmente mostrou a que veio: confirmando as expectativas e especulações de muitos, o delegado afastado se filou ao PDT e, em 2010, pleiteia alcançar um cargo público eletivo. Ainda não se sabe a que exatamente concorrerá Protógenes, porém, o mais provável é que ele se candidate a Deputado Federal.

Protógenes Queirós ficou conhecido em todo o país por chefiar a famosa Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Segundo acusações, o delegado durante as investigações, que tinham como principal objetivo desbaratar os crimes financeiros do grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, teria se utilizado de práticas ilegais na condução do inquérito: segundo os processos que sofre na PF e, também, na justiça Federal, o delegado teria praticado os crimes de violação de sigilo funcional e fraude processual durante investigações da Operação.

Para concorrer ao cargo eletivo em 2010, Protógenes terá que se livrar desses processos, além de ter que optar por afastamento por tempo indefinido da PF ou pela exoneração. A notícia da candidatura do delegado foi festejada por alguns políticos do grupo pedetista. Conforme publicado pela Folha Online, Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força Sindical (que foi, inclusive, o mentor da vinda de Protógenes ao partido de Carlos Lupi e de Cristovam Buarque), afirmou que o delegado “tem perfil político e se transformou em um ‘ícone na luta pela transparência’. ‘Assim que ele teve a ideia de entrar na vida política, nós começamos a conversar. Como ele estava enrolado com o PSOL, esperamos um pouco e ele se decidiu. O delegado tem um tem um papel importante porque é uma pessoa que se tornou emblemática na luta pela transparência e contra a corrupção’, disse o sindicalista.

O que percebemos, então, é que todo aquele engajamento do delegado Protógenes em criar polêmica em cima de polêmica, a partir do caso Satiagraha, tinha realmente uma intenção político-eleitoreira: Protógenes queria entrar na vida política brasileira através da porta dos embates e das combatividades muitas vezes vãs. Através de declarações fortes em sua página na internet e através da imprensa, fica claro que o delegado estava buscando os holofotes da publicidade gratuita e muito útil aos pretensos candidatos. Segundo ele, porém, a iniciativa de entrar na carreira política não partiu exatamente dele: "A população está me conduzindo a este processo", disse ele. "Há uma pressão pública para isso". Disse o delegado recentemente em seu blog. (citação: Folha Online)

Apesar das frases de efeito e das aparições marcantes, o que Esperamos é que, sinceramente, se provada sua inocência nos processos, Protógenes não caia num oposicionismo frívolo, que tem muita pirotecnia e pouca ação. O povo brasileiro não quer mais um “político marqueteiro” e cheio de jogos de cena. Afinal, se é para ser combativo, que seja de verdade...


Foto: Blog do Protógenes
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A saga de Dilma "contra" o terceiro mandato

Depois de mais uma internação da ministra Dilma Roussef, para tratar uma miopatia (inflamação) nas pernas provocada pela quimioterapia à qual está sendo submetida, devido ao seu câncer no sistema linfático, o tema da possibilidade da construção do terceiro mandato consecutivo do presidente Lula passou a pautar mais uma vez o noticiário político nacional.

Em visita oficial a Pequim, pela “enésima” vez o presidente afirmou que, ao contrário do que apostaram inúmeros analistas, não tem nenhuma pretensão de utilizar a idéia de um terceiro mandato como um “plano b”, ou mesmo como uma válvula de escape a uma possível impossibilidade da candidatura da Ministra da Casa Civil.

A um correspondente da BBC Brasil (publicado no Estadão), na China, Lula foi taxativo: "Eu não discuto essa hipótese. Primeiro porque não tem terceiro mandato. Segundo, porque a Dilma está bem”.

De fato, a ministra receberá alta médica ainda hoje do hospital Sírio Libanês onde está internada. Segundo publicado na Folha online, o horário da saída da Ministra ainda não está confirmado, porém, tudo indica que ela saia hoje mesmo do hospital. A imprensa ainda aguarda novo boletim dos médicos, que será expedido nas próximas horas.

No entanto, por mais que o governo tente minimizar a gravidade da situação, a verdade é que Dilma está com uma doença grave, e requer cuidados acurados para que alcance uma recuperação a contento. Para se ter uma idéia, no tratamento de um linfoma no chamado “estádio 1” (ou seja, em seu estado de desenvolvimento mais primário), segundo a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE), “os efeitos colaterais dependem de vários fatores: da intensidade, da combinação e do tipo de quimioterapia, da localização da radioterapia, da idade do paciente e de condições médicas coexistentes (por exemplo, diabetes mellitus e doenças renais)”.

Em outras palavras, o que se percebe é que a doença da ministra pode sim acarretar em novos e mais fortes efeitos colaterais. As opiniões dos especialistas divulgadas na mídia são unânimes em afirmar que Dilma precisa diminuir sua rotina de trabalho, que precisa estar mais “focada” no tratamento.

Então, por todos esses motivos, pode-se dizer que existe sim a possibilidade de a Ministra não concorrer a Presidência. Todos sabem que, ao invés de uma diminuição, o ocorrerá daqui até o início das campanhas do ano que vem, será, isso sim, a intensificação dos trabalhos eleitorais. E mais: devemos lembrar que Dilma já está em campanha. Ela está viajando e trabalhando freneticamente na construção do seu maior cartaz, o PAC.

Por isso, amigos, não podemos descartar que a Ministra tenha, concretizado no seu tratamento, um grande obstáculo eleitoral. Uma vez que ela será obrigada a passar por quimioterapia preventiva a cada três semanas, num período de quatro meses, não se pode ter nenhuma certeza acerca dos meandros políticos de campanha que surgirão e terão que ser resolvidos pelo governo e pelo PT nesse "meio tempo". E Lula, que nunca foi ingênuo, muito provavelmente pensou sim no terceiro mandato como alternativa.

Tudo indica, porém, que o presidente não vá apostar nessa arma para 2010. Alguns analistas apostam no projeto de poder “lulista” para o retorno (ao estilo Vargas) em 2014. Por hora, nos resta aguardar os resultados da recuperação da Ministra para ver qual das tendências se concretiza.
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