Mostrando postagens com marcador América Latina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador América Latina. Mostrar todas as postagens

Lula não é o “melhor” das américas

lula-presidente

Um levantamento da Instituição de consultoria mexicana Mitofsky frustrou muitos dos “defensores ferrenhos” do presidente Lula no Brasil. Para muita gente Lula era o melhor e mais bem avaliado presidente das américas. Mas, segundo pesquisa divulgada hoje pelo por Uol notícias, Lula tem um presidente rivalizando com ele quando o assunto é popularidade no nosso continente.

O primeiro em popularidade nas américas é o presidente Maurício Funes de El Salvador, que tem hoje 83% de aprovação, contra os históricos 76% do presidente brasileiro.

 

Em seguida, com avaliação “alta”, aparecem os presidentes Ricardo Martinelli (Panamá), Evo Morales (Bolívia), Álvaro Uribe (Colômbia) e Leonel Fernandez (República Dominicana). […] Com 48% de popularidade, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está entre os líderes de aprovação “média”, ao lado do mexicano Felipe Calderón e do paraguaio Fernando Lugo. […]Álvaro Colom (Guatemala), Oscar Árias (Costa Rica) e Rafael Correa (Equador) registraram avaliação “baixa”. No pé da lista, com popularidade em 35%, está a presidente Cristina Fernandez de Kirchner (Argentina), que agora deixou o último lugar.

Fonte: UOL notícias

Apesar dos números, não se pode negar que o Lula é um fenômeno de popularidade em nosso país e em todo o mundo. Depois de quase oito anos de populismos, obras e muito marketing, o “lulinha paz e amor” da campanha parece definitivamente ter se firmado como um dos “caras” nos cenários continetal e mundial.

Resta apenas saber o quanto o povo brasileiro e o país realmente ganharam com tanta representatividade…

Confiram o Ranking do presidentes mais populares:

Mauricio Funes
(El Salvador)
83%

Luiz Inácio Lula da Silva
(Brasil)
76%

Ricardo Martinelli
(Panamá)
69%

Evo Morales
(Bolívia)
66%

Álvaro Uribe
(Colômbia)
63%

Leonel Fernández
(República Dominicana)
57%

Felipe Calderón
(México)
53%

Fernando Lugo
(Paraguai)
50%

Barack Obama
(Estados Unidos)
48%

Álvaro Colom
(Guatemala)
43%

Óscar Arias
(Costa Rica)
42%

Rafael Correa
(Equador)
41%

Cristina Kirchner
(Argentina)
35%

Stephen Harper
(Canadá)
26%

Alan Garcia
(Peru)
26%

Daniel Ortega
(Nicarágua)
26%

*Com informações da Consultoria Mirofsk (abril 2010) – Fonte: UOL

Henrique Oliveira

Continuar Lendo

Chávez x Twitter

Hugo_Chavez

Não é de hoje que o chavismo vem sofrendo diversas críticas. E não é para menos. Volta e meia o atual governo venezuelano cisma em cutucar os mais ferozes leões com uma vara extremamente curta. Dessa vez o presidente venezuelano está alardeando uma campanha contra o Twitter. E isso porque os opositores do governo venezuelano, cada vez mais, vêm utilizando a ferramenta e outras redes sociais da web para abrir uma nova frente de enfrentamento contra o presidente e seus aliados ditos “revolucionários”.

Os opositores estão usando o Twitter e a outros canais para criticar o presidente em muitas das suas ações polêmicas. O fechamento de uma TV privada nos últimos dias, por exemplo, fez com que surgissem no país as mais diversas manifestações “twitteiras”: mensagens como #freevenezuela se tornaram febre no país e, até, entraram na lista dos tópicos populares (os famosos Trending Topics) do site. 

Mas, se formos olhar pela lógica chavista, a preocupação não é sem sentido:

O site de microblogs vem registrando crescimento explosivo na Venezuela, com mais de 200 mil contas ativas. Com crescimento de mais de 1.000% em 2009, a Venezuela agora registra um dos maiores índices per capita de uso do Twitter na América Latina.

Fonte: Folha Online

Como já é de costume, o presidente venezuelano começou a disparar sua “metralhadora de bravatas” contra a rede social: "A internet é uma trincheira de batalha porque está trazendo uma corrente de conspiração". […] A internet não pode ser livre", disse Chávez há pouco tempo em das suas inúmeras entrevistas e aparições em meios de comunicação.

Me parece, pois, que uma atitude como esta do presidente venezuelano é muito mais um atentado á liberdade popular e comunicação do que qualquer outra coisa. Um governo que se autodeclara “revolucionário” e/ou “libertador” nunca deveria cogitar controlar ou, mesmo, amordaçar uma rede comunicativa tão prolífica quanto é o Twitter.

Frases como “a internet não pode ser livre” parecem ser avisos bastante fortes de que a Venezuela e o chavismo se aproximam e, cada vez mais, começam a chafurdar num viés autoritário, ditatorial e extremamente corrompido. Detratores do chavismo, inclusive, afirmam no país, com todas as letras, que um plano governamental está sendo preparado para “canalizar” o tráfego de internet através de “diretrizes estatais”.

Como diria o velho chavão (desculpem o trocadilho): onde há fumaça, há fogo.

Chávez parece sim estar querendo silenciar a nova “oposição on-line” que surge no país e, a todo instante, por meio de seu governo, dá mostras de insatisfação com a sua “não-onipresença” em mais esse canal midiático. O Twitter está incomodando. E o está, justamente, porque abre uma nova forma de comunicação e organização no país: uma maneira livre e eficiente. E, convenhamos, para um governo que tem tantos viéses de autoritarismo, isso pode ser bastante ruim…

Henrique Oliveira

Continuar Lendo

Só instrução não basta

desemprego

Hoje em dia qualquer jovem que saia do segundo grau e ingresse numa faculdade, tem em mente a utópica futura consecução de um emprego digno e que conte com um salário a contento para suas necessidades. Para isso, esses jovens se entregam a sacrifícios muitas vezes homéricos para completar os estudos: enfrentam estágios sem qualquer acompanhamento ou, mesmo, atrelamento com a área de formação e que mais parecem um regime escravo; trabalham de dia e estudam á noite para custear as muitas despesas; moram, muitas vezes, em condições abaixo das necessárias para o seu bom desenvolvimento físico e intelectual, dentre outros absurdos. Quando finalmente se veem formados, esses jovens pensam: “ufa! Valeu a pena. Agora, pelo menos, eu tenho um rumo…”

O problema é que “na realidade a teoria é outra”. Muitos jovens no mundo inteiro, mesmo qualificados e aptos à trabalhar, têm sido preteridos nos processos empregatícios, e muitos são os exemplos disso. Hoje mesmo, ao ler um artigo na Folha de São Paulo, deparei-me com a triste notícia de que existem 7 milhões de jovens entre 15 e 24 anos que, por mais que se esforcem, não conseguem se firmar nos mercados de trabalho na América Latina. Em outras palavras, temos milhões de trabalhadores iniciantes que, mesmo se jogando ás garras do mercado, não atingem as expectativas que nutriram durante seu processo educacional. E isso, logicamente, acaba se tornando uma frustração e um problema. 

O emprego dos jovens é um desafio político, porque, quando essas expectativas são traduzidas em desânimo e frustração, se torna mais difícil a estabilidade de nossas sociedades e até mesmo a representatividade e a governabilidade democráticas. […] Além disso, existe o problema da relação com a vida profissional, pois, quando os jovens não têm oportunidade, dificilmente conseguem quebrar o ciclo de pobreza e trilhar uma trajetória de trabalho decente. Estaremos desperdiçando o talento e a capacidade produtiva necessária para alcançar o crescimento econômico.

Para piorar a situação, os jovens foram o grupo mais golpeado pela crise de emprego do ano passado. Indicadores compilados pela OIT [Organização Internacional do Trabalho] mostram que em 2009 a taxa de desemprego dos jovens aumentou mais do que a dos adultos, enquanto diminuiu a sua participação nos mercados de trabalho […]. Estima-se que mais de 600 mil jovens passaram a engrossar as fileiras dos desempregados devido à crise. Fonte: Folha de São Paulo 

Ou seja, os jovens estão mais desempregados do que os adultos. E essa discrepância é, de fato, preocupante. Afinal, a nossa estrutura social não pode sobreviver sem a renovação dos seus quadros de trabalho. Hoje em dia a entrada do jovem no mercado, pelo menos no Brasil, se dá muito por intermédio de indicações e privilégios! A boa formação e a aptidão pessoal, em alguns casos, por incrível que pareça, conta menos do que um bom “contato” feito na época da faculdade…

Não que as relações sociais sejam “erradas” quando se trata de mercado de trabalho. Pelo contrário. Precisamos conhecer pessoas, trocar experiências e mostrar os potenciais que temos. No entanto, isso não pode funcionar como uma “máquina de privilégios” e concessões descabidas. É preciso que os empregadores contratem jovens realmente preparados para o exercício das funções específicas das empresas, e não simplesmente porque conhecem o “primo do irmão do neto de Beltrano”.

É preciso, então, que, além de uma maior quantidade de vagas, os jovens também tenham acesso a empregos com maior qualidade, tanto no trabalho em si quanto no processo de seleção dos novos empregados. Da mesma forma, políticas públicas poderiam incentivar ainda mais as empresas a investir em jovens talentos, criando, assim, uma cultura de manutenção do jovem no mercado do trabalho.

Em outras palavras, o que precisamos com urgência é pensar em alguma coisa para mudar definitivamente esse quadro. Porque, como eu disse no título desse texto, só instrução não está bastando no momento.

Henrique Oliveira

Continuar Lendo

A política “certa”

Luiz-Inacio-Lula-da-Silva

Com as proximidades das eleições , muitos comentários e notícias acerca do pleito a ser realizado no próximo dia 3 de outubro começaram a se avolumar. Daqui para frente, todo mundo que se julgar como sendo possibilitado de falar, não tenham dúvidas, vai querer falar – e eu, claro, não ficaria de fora destes debates… ;). 

E isso é bom. Porque, desde que as opiniões não sejam caluniosas e/ou falsas, essa discussão só tende a incrementar o nosso processo democrático de votação. Fortalecendo o que nunca pode faltar numa nação livre: a diversidade de pensamentos e de crenças.

Então vamos começar a falar de Eleições aqui no Incomode-se.

Nesta sexta, 19, Gregor Gysi, O líder da coalizão parlamentar alemã "A Esquerda" deu uma declaração bem interessante na cidade San Salvador (El Salvador) durante um dos compromissos da sua viagem de três semanas pela América Latina – na qual pretende visitar, além de El Salvador, o Brasil, Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela. Segundo o político:

"Lula é um homem sábio, e não comete um erro que muitos outros cometem. Ele sabe que sua Constituição só prevê uma reeleição, coisa que (o líder da Nicarágua, Daniel) Ortega, não o quer aceitar, (o presidente da Colômbia, Álvaro) Uribe, também não."

Fonte: Uol notícias 

Para Gysi, Lula faz uma política mais “acertada” que a de seus colegas latinoamericamos quando opta por não subverter a Constituição nacional no intuito de virar o jogo político ao seu favor e permanecer indeterminadamente na presidência da República (coisa que parece estar voltando à moda nos países latinos). Pela ótica do líder alemão, nenhum presidente deveria, apoiando-se em sua popularidade, tentar se reeleger a todo custo, mas sim formar um sucessor político.

E é exatamente isso que o Lula e sua equipe estão fazendo: ao construir uma campanha em torno da Imagem de Dilma, do Bolsa família e do PAC o presidente está formando um grupo político que garantirá uma continuidade concreta da sua política: promverá a permanência não da sua pessoa diretamente, mas sim da sua influência no Planalto. Em muitos compromissos oficiais, que já podem ser considerados como uma verdadeira “campanha antecipada”, a ministra Dilma, por exemplo, vem demonstrando claramente sua total “veneração” pela  autoridade do presidente Lula. A todo instante a ministra toca no nome do presidente e exalta o seu governo e sua forma de atuar. Literalmente ela se apioa na sua mais forte “muleta” eleitoral: a popularidade do “filho do Brasil”. Isso porque também não seria prudente se distanciar do pilar fundamental da “popularidade eleitoreira” petista logo á beira de uma campanha… Seria, na verdade, um suicídio. 

Em outras palavras, as muitas colocações de Dilma e de outros governistas envolvidos na sucessão, demonstram que Lula, como disse Gregor Gysi, acerta sim na política que emprega. E acerta porque o seu objetivo é manter o PT no controle da situação e, por tabela, manter também o seu maior líder sempre por perto… Afinal, 2014 não tardará a chegar…

Resta saber se tudo isso é justo.

Henrique Oliveira

Continuar Lendo

Nossos bichos

haiti

Não sei se coaduna com os objetivos desse espaço, mas desde já quero deixar claro que não são grandes as minhas pretensões. Isso não significa que eu seja uma pessoa humilde, modesta, pacata, ou qualquer coisa do gênero, absolutamente. Estou apenas querendo poupar, agora, o trabalho de ter que pedir perdões posteriores. Não gosto dos pedidos de perdão. Acho-os desnecessários, supérfluos, embora saiba de antemão que as falhas são e serão sempre inevitáveis.

Se tiver alguma pretensão aqui, ela se resume à busca de estabelecer uma relação de confiança. Não entendam esse meu desejo como uma súplica para que creiam cegamente, interiorizem sem se indagar o porquê, o que digo como a manifestação da verdade. Queria apenas que acreditassem que se digo algo, o faço de maneira honesta.

Ontem, refletindo sobre o que escrever nesse encontro inaugural, buscando uma inspiração que, teimosa, não vinha, comecei a remexer em leituras antigas, escondidas no fundo da gaveta e foi então que me deparei com Drummond. Acho Drummond um poeta estranho, e devo admitir que, por mais que me esforce, nunca entendi o que ele pretendeu com os versos “Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”. Tentava eu estabelecer um nexo, uma relação causal, entre mãos e sentimento, ainda mais, do mundo. Falhei na compreensão, embora de maneira paradoxal fosse exatamente o que sentia. Com duas mãos inertes diante da profusão de sentimentos cotidianos.

Na TV, começava o jornal. Engraçado, de uns tempos pra cá, os jornais não conseguem me surpreender; cada vez mais tenho a impressão de que as notícias se repetem, que nada de novo acontece. Passei os olhos na tela da Tv, sem muita curiosidade, e deparei-me, como nos dias anteriores, com o Haiti. Joguei a poesia de Drummond para o lado, e pensei que poderia escrever algo sobre o Haiti, mas, logo em seguida, cheguei à conclusão de que não queria falar do Haiti. Afigurou-se para mim naquele momento que era mais fácil não ver, não ouvir, não conhecer, para evitar o risco de sentir. De sentir o Haiti. Resgatei a poesia de Drummond, que parecia olhar para mim do lugar que a havia lançado, e pela primeira vez aqueles estranhos versos começaram a fazer algum sentido. Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo.

Tragédias como essa do Haiti, ou como as enchentes em São Paulo, ou a guerra do tráfico no Rio de Janeiro, ou outras tantas que não alcançam a notoriedade, tem o costume de levar para os holofotes especialistas em sociologia, filosofia, meteorologia, ou sei lá o quê. Não desprezo, pelo contrário, enalteço as descobertas fantásticas da racionalidade humana. Mas não era bem um tratado de sociologia ou uma análise aprofundada sobre o efeito estufa que eu precisava naquele momento para acalentar meu coração. Eu queria um pouco mais de sentimento. Queria que nem que fosse por um instante, o horário nobre da TV se rendesse a Vinicius de Moraes, angustiado ao ouvir “os passos na noite que se perdem sem história”, ou ao sentimento do mundo de Drummond, ou quem sabe até, a Manuel Bandeira. Queria que a luz abaixasse e que a voz grave do ancora pudesse dizer:

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.

Queria um pouco mais de sentimento, para talvez tornar a miséria humana, um pouco mais humana. Não queria vê-la apenas como mais um capítulo, que terminha hoje e recomeça amanhã, no mesmo horário, no mesmo canal, como se durante todo esse intervalo de tempo aquelas cenas deixassem de existir e aquelas pessoas deixassem de existir.

Os bichos haitianos, os bichos brasileiros e os africanos e todos os outros bichos estão sempre por aí, em cada esquina, do Haiti ou daqui, mas nos interessa tão pouco. Fechei o livro de Drummond que segurava em minhas mãos, desliguei a TV, já era tarde, e fui dormir. Deitei-me, e o sentimento que eu tanto esperava, ou já havia se dissipado, ou talvez nem tivesse chegado. Pensava apenas que dali a poucas horas começaria mais um dia, e que é tão mais fácil conviver com a covardia resignada, do que se permitir a sentir, os bichos ou o Haiti. Confesso que tive vontade de pedir perdão, mas não sabia a quem fazê-lo. Ainda bem que foi só um rompante, teria me arrependido, não gosto dos pedidos de perdão.

J. Dannieslei

 

Referencias aos poemas:

“O Haver”, Vinicius de Moraes

“Sentimento do Mundo”, Carlos Drummond de Andrade

“O Bicho”, Manuel Bandeira

Continuar Lendo

A "ameaça" sulina

Na revista Istoé desta semana foi publicada uma pequena nota. Em seu texto, poucas palavras mas muitos significados: a nota anunciava a confirmação da presença do prersidente francês Nicolas Sarkozy nas solenidades do dia 7 de setembro. Só que não era só isso. O pequeno texto afirmou que o presidente francês teria no Brasil, como principal assunto, "as pressões que vem recebendo do Reino Unido e da Holanda contra os termos do acordo militar entre a França e o Brasil".

Segundo a revista, teme-se que exista uma transferência "desregrada" de tecnologia militar entre os dois países. O bloco Europeu teme que o Brasil e sua marinha de guerra (principalmente no que toca a parte dos submarinos nuclearaes) cresça "demais" com tal transferência e deixe de ter um papel secundário na geopolítica do Atlântico Sul.


Some-se a essa informação ao fato de que os mares do Atlântico Sul tem, nos últimos anos, crescido em importancia política, e veremos como essa "preocupação" europeia com as nossas defesas se "justificam". Os mares da parte Sul do planeta, hoje, concentram grande potencial de produção de petróleo (haja vista o "pré-sal") e comércio. Além disso, as nações da região têm crescido exponencialmente em importância política e militar, o que faz com que aquelas antigas rotas ligando o nordeste brasileiro à costa africana voltem a ser (se é que um dia deixaram de ser) de interesse militar para os europeus e americanos.


Ao avançar tecnologicamente e promover uma alta dos preços do petróleo, a economia mundial viabilizou economicanente a exploração e a produção de óleo e gás de reservas localizadas em áreas até há pouco tempo impensáveis, como as do pré-sal. O descobrimento do potencial destas reservas, que ficam nas bacias sedimentares da porção ocidental do Atlântico Sul, contribuiu para que se vislumbrasse uma possível "independência" dos Estados Unidos em relação ao petróleo do Oriente Médio. Com isso, países como a China (vejam como a coisa vai longe) passariam a ser os principais compradores daquela região, e, então, a presença militar e naval norte-americana, no Golfo Pérsico e em suas proximidades, poderia ser menos "incisiva". Pode-se constatar, pois, que o ponto central do interesse da Marinha dos EUA está na iminência de se deslocar com força para o Atlântico Sul. Isso justifica o plano de reativação de algumas Esquadras da Marinha dos EUA no nordeste brasileiro, subordinada ao Comando Sul das Forças Armadas estadunidenses que estão atualmente em curso.


Para o cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira, em artigo publicado na Revista Espaço Acadêmico, "A Segunda Guerra Mundial evidenciou a importância geopolítica da América do Sul na estratégia dos Estados Unidos, que necessitavam não apenas assegurar as fontes de matéria-prima – ferro, manganês e outros minerais indispensáveis à sua indústria bélica – como também manter a segurança de sua retaguarda e do Atlântico Sul. O Brasil fornecia aos Estados Unidos produtos agrícolas, borracha, manganês, ferro e outros minerais estratégicos. Mas com sua posição no subcontinente, na América do Sul, revestia-se de maior relevância geopolítica, devido ao imenso espaço territorial e aos recursos que possuía e ao fato de ter fronteiras com todos os países da região (exceto Chile e Equador), ocupar grande parte do litoral do Atlântico Sul, defrontado com a África Ocidental. [...] Daí a pressão para que o Brasil permitisse a implantação de bases navais e aéreas nas principais cidades litorâneas do Nordeste, de onde os aviões da IV Frota americana, fundeada em Recife, realizaram vôos diários, através do Cinturão do Atlântico Sul [...]."


Não é de se estranhar, então, que países europeus estejam precionando a França por conta do seu acordo militar com o Brasil. Como fizeram com a economia durante muitos anos, esses países historicamente dominadores querem que os "potenciais" da américa do Sul não brotem, e para isso movem "cèu e terra" para barrar as nossas defesas. O problema é que a situação política na América do Sul vem mudando muito nos últimos tempos. O chavismo na Venezuela, o governo Morales na Bolívia e a superpopularidade populista de Lula no Brasil, vem provando que nem sempre as tutelas saem como previsto...


Obviamente que a questão armamentista nunca deve ser o centro das preocupações. No entanto, um país que se queira realmente soberano deve ter em mente sua estratégias de defesa. Cabe ao Brasil, portanto, responder, na vista do presidente Sarkozy em setembro, que não aceitará mais esse tipo de grilhão e patrulhamento. Os países europeus estão de olho na nossa área geopolítica e se ficarmos de braços cruzados poderemos estender por mais alguns dolorosos anos a situação de "colônia" que nos caracterizou no século 20.


Continuar Lendo

Caminhos da América Latina

É notável o crescimento da importância política, econômica e histórica da América Latina. Muitas grandes potências que, no passado, pouco davam importância às decisões políticas que eram tomadas por aqui, agora têm olhos e ouvidos bem abertos para os rumos quem vem norteando as lideranças governistas e populares (populistas?) latino-americanas.

O petróleo, um pretenso esquerdismo, populismo, apego ao poder... Todos esses “motivos” permeiam as análises envolvendo a nossa região global. Mas, nenhuma está assumindo tanta relevância nos últimos tempos como a ainda hipotética formação do dito “grupo do terceiro mandato”. Segundo críticos, o bloco político em gestação na América Latina está se apoiando num verdadeiro projeto de perpetuação no poder através do populismo e de plebiscitos manipuladores.

Venezuela e Equador já aprovaram seus projetos presidenciais de permanência no poder por um terceiro mandato. Agora, segundo publicado na revista Istoé desta semana, é a vez da base governista da Colômbia propor ao Senado “um projeto de referendo que pode mudar a constituição do país, permitindo que Uribe [Álvaro] se candidate à Presidência pela terceira vez consecutiva”.

Muitos dizem que Hugo Chávez, Rafael Correa, Uribe e, lá adiante, Evo Morales, engatilham a passos largos um projeto de perpetuação no poder para formar um “bloco político” de oposição ao comando estadunidense e global. No Brasil, a possibilidade do terceiro mandato do presidente Lula ainda não está totalmente afastada. Caso o PT não consiga engrenar uma candidatura competitiva (e Dilma é uma candidata difícil), o presidente pode, sim, desengavetar seu projeto de continuidade no planalto.

Todo esse movimento político faz com que a América Latina seja foco de atenções especiais. A formação desse grupo de grandes chefes populistas “permanentes”, faz com que analistas foquem suas atenções na formação de um novo bloco de governo: o “bloco do terceiro mandato”. Para o sociólogo Rudá Rucci, três são as principais teorias que atualmente se aplicam ao diálogo acerca dessa situação:

1) Democracia ou reeleição?

“Esta tese quase sempre sustenta o debate que forjou a concepção eleitoral dos EUA. [...].O argumento central é a importância do contrapeso na democracia, tese próxima à dos anti-federalistas, e a ilustração da recusa de [Thomas] Jefferson em assumir um terceiro mandato, em 1809. Jefferson afirmava que reeleição ilimitada equivaleria à vitaliciedade. Por outro lado, Franklin Roosevelt se reelegeu quatro vezes, tendo como mote a crise social e a guerra mundial. Mas este parece ser o argumento forte: mesmo que a população deseje, seria adequada a permanência de uma mesma pessoa no poder, por vários mandatos consecutivos? Mesmo pelo voto, reeleições sucessivas aproximariam o mandatário de um poder vitalício? O voto, neste caso específico, não constituiria uma mera sugestão plebiscitária, renegando a delegação de poder e se resumindo à adesão?”

2) Plebiscito ou democracia?

Tese defendida no país pela analista Lúcia Hypólito, e no mundo por diversos pensadores, esse entendimento “sugere certa distância entre democracia e plebiscito. Esta sempre foi a tese das forças conservadoras do nosso país. Desde o Partido Conservador. Em síntese, as massas são sempre irracionais e apaixonadas. Le Bon e até Freud defenderam tese similar. Freud sugeria que as massas mobilizadas nas ruas agiriam como crianças à procura de um pai, desesperadas pela ordem e logo o pai surgiria: o líder carismático. Tese, aliás, desenvolvida pelo marxista-freudiano austríaco, Wilhelm Reich, para analisar o que teria sido a psicologia de massas do fascismo”.

3) Conspiração esquerdista na América Latina

Segudo esta teoria, “estaria em curso uma articulação esquerdista que envolveria Chávez, Evo Morales, Fidel Castro [agora nos bastidores] e Rafael Correa, seguidos à distância por Lula. Chávez, pelo poder que o petróleo lhe confere, radicalizaria seu discurso para pressionar os governantes menos esquerdistas da América Latina a se posicionarem num único bloco, anti-EUA e pró-América Latina. Uma tese sem fundamentos concretos, embora os eleitores latino-americanos estejam efetivamente mais próximos dos candidatos à esquerda”.

Teorias e mais teorias surgem para explicar o “fenômeno” do terceiro mandato na América Latina. Muitos apostam nas paixões políticas para embasar suas análises, mas, o fato é que a nossa região global vem protagonizando um momento político bem característico. É preciso que nós estejamos conscientes desse projeto de poder para que, quando for necessário, saibamos nos posicionar sem passividade. Não existem “deuses-governantes”. O Populismo é uma ilusão atrativa. Por isso, temos que fincar nossos pés no chão para, efetivamente, escolhermos o melhor para o nosso povo e país.


Foto: AHLAM
Continuar Lendo